VÍDEO-AÇÃO CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS 11 INDICIADOS EM ALTAMIRA


do site Centro de Midia Independente

Entre os dias 13 e 17 de junho, na comunidade de Santo Antônio (localizada a 50km de Altamira e a 100m de um dos canteiros de obras da UHE de Belo Monte), ocorreu o Xingu+23, encontro que reuniu cerca de 300 pessoas, entre ribeirinhos, indígenas, pescadores, agricultores e indignados, e que teve como objetivo principal traçar novas estratégias de resistência ao modelo opressor de desenvolvimento que vem sendo implantado no Brasil.

O encontro fez contraponto à Rio+20, expondo o quanto a política ambiental do Brasil contradiz os princípios de qualquer ideia de sustentabilidade.

Enquanto os grandes líderes mundiais discutiam, no Rio de Janeiro, o futuro do planeta em plenárias esvaziadas e com os olhos desviados dos problemas de nosso modelo de crescimento, um espaço de resistência dava novos tons a um ambiente da Transamazônica intensamente devastado pela grande obra. Fazendo referência ao 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu (marco da luta contra as barragens na Amazônia, ocorrido há 23 anos), o Xingu+23 veio para reafirmar as posições contrárias à construção da usina e mostrar que Belo Monte não é um fato consumado.

Após o encontro, a Polícia Civil do Pará, respondendo ao pedido do CCBM, consórcio responsável pela construção da usina, solicitou a prisão preventiva de 11 participantes do Xingu+23. Entre os acusados, encontram-se membros do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, que já vêm sendo alvos de intensa perseguição política por sua atuação contra Belo Monte. O ataque recente à integridade do movimento é só o desmembramento de um processo de luta constante em torno do estatuto da verdade sobre Belo Monte, onde a aliança governo-empresa sempre agiu no sentido de deslegitimar o discurso de oposição à usina, através de uma guerrilha midiática imposta sem respeito às inúmeras vidas afetadas pela obra.

A acusação e o consequente pedido de prisão negam todo e qualquer princípio democrático real, pois estão eivados de violências e trocas de favores, em que o único interesse é o estabelecimento de um ambiente favorável para que a obra prossiga, através do escuso silenciamento destas referências na luta contra a hidrelétrica, por meio de sua criminalização.

Tal estratégia tem o sentido de desmobilização e enfraquecimento da resistência, invertendo os papéis sociais e transformando os opositores da obra em criminosos e autopromovendo-se como “heróis” que salvam a sociedade das más condutas e colocam a região “nos braços do progresso”. A falta de coerência na composição de “provas” e “testemunhas” denuncia uma tática de natureza suja e opressora. É absurdo, autoritário e injusto! Não podemos aceitar esse nível de violência, que passa por cima dos direitos de uma população ameaçada e sem maiores possibilidades de autodefesa.

Em virtude disso, como resposta ao ataque promovido aos 11 acusados, foi realizado, nesta segunda-feira, em Belém – Pa, um ato em denuncia ao processo de criminalização dos defensores do Xingu e às obscuridades que envolvem a acusação feita pela Polícia Civil. Nesse sentido, um grupo com cerca de vinte pessoas saiu em cortejo pelo bairro de São Braz, nas proximidades do prédio do Consórcio Construtor da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, denunciando a criminalização dos movimentos sociais, com particular atenção ao caso do Xingu Vivo e seus onze indiciados.

O funk “PAC (Processo de Aceleração de Chacinas)”, do grupo Anarcofunk, embalou o ato. A música compara desgraças sociais como a Guerra do Vietnã e Haiti com o que ocorre hoje em dia no Brasil, através do Programa de Aceleração de Crescimento, do qual a construção da Usina de Belo Monte faz parte. Durante o protesto houve leitura e panfletagem da carta de apoio escrita pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre, para elucidar o motivo da ação ao grande público. Ao chegar em frente à sede metropolitana do Consórcio, com som de fundo e muita vontade nas mãos, foram fixados vários adesivos com a imagem da campanha contra a criminalização dos movimentos e com a frase: “NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DOS 11 ATIVISTAS DO MOVIMENTO XINGU VIVO PARA SEMPRE POR AÇÕES CONTRA A UHE BELO MONTE”. No momento final, foram feitas marcas das famosas mãos vermelhas. Mãos do NÃO à construção desse projeto nefasto, do PARE, do CHEGA.

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