Exigimos justiça para Andreu! Chega de massacres nas dependências do Degase!


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No dia 1º de janeiro de 2008, iniciou-se na vida de Deize Silva de Carvalho, uma batalha árdua.

 

Seu filho, Andreu Luis da Silva de Carvalho, foi barba-ramente torturado e assassinado nas dependências do CTR (Centro de Tria-gem), por seis agentes do DEGASE (Departamento Ge-ral de Ações Socio-educativas), que já o haviam jurado de morte. Esse juramento ocorreu a partir de uma publicação da imprensa em que Andreu denunciava a situação no Degase. Nessa mesma matéria de jornal, as autoridades procuravam se apresentar como “surpresas” diante do que se passava, criando clima para que os agentes do Degase ameaçassem Andreu de “conhecer o Parque dos Horrores”.

 

Andreu havia sido preso no dia anterior. A polícia buscava pren-der quem servisse ao seu objetivo: achar alguém que pudesse ser responsabilizado pelo assalto a de um coronel norte americano na orla de Ipanema. Após essa prisão ilegal e arbitrária, Andreu ainda foi enviado para o DEGASE, uma instituição destinada a “ressocializar” jovens. Dessa forma, sob a custódia do Estado, Andreu foi submetido ao interrogatório tradicional da instituição, com humilhações, agressões e violência de todo tipo, para confessar uma culpa que não tinha.

 

Ao reagir à agressão dos agentes, foi submetido a uma cruel sessão de tortura. Teve vários ossos quebrados.  Além disso, Andreu teve traumatismo crâniano, cortes contundentes, devido às perfurações feitas por cabo de vassoura, entre outras barbaridades. Deize, durante 1.246 dias, esperou por uma resposta da justiça.

 

Após tão demorado período, no dia 30 de maio de 2011, o Ministério Público do Rio de Janeiro indiciou os seis criminosos envolvidos no assassi-nato de Andreu. 

 

As lagrimas de Deize sempre tiveram motivos. Mais ainda com a esperança por Justiça, não somente em relação ao seu filho, mas também com a esperança de que outros jovens não fossem assassinados pelos mesmos que torturaram Andreu até a morte.

 

Deize espera que a punição destes agentes sirva de lição para que os que se encontram exercendo a função de agentes de disciplina venham a refletir sobre o que ocorreu naquele triste dia, para que isso não se repita.

 

Na verdade esses agentes não esperavam que existiria uma mulher negra, pobre sim, porém digna, buscando justiça para que as leis venham a ser cumpridas.

 

Como a Deise costuma dizer: “perdi meu filho, mas não a vontade de lutar!”

 

O ato será em frente ao DEGASE,

Instituto Padre Severino, na Ilha do Governador.

Dia 30 de julho, às 12hs.

MP denuncia seis agentes do DEGASE por homicídio

(paginas MP-RJ-30/05/2011)

 

Os seis agentes do DEGASE foram denunciados por crime de homicídio doloso pelo Ministério Público do Estado do Rio de Já-neiro, nesta segunda-feira (30 /05).  O Ministério Público pro-pôs também que a Justiça decre-te prisão preventiva dos agentes e a imediata suspensão do exer-cício de suas funções públicas.

De acordo com a denúncia, usan-do pedaços de madeira, um saco repleto de cocos e uma lata de lixo, os agentes Wilson Santos, o Manguinho, Flávio Renato Alves da Silva Costa e Marcos César dos Santos Cotilha (o Da Provi) dominaram o adolescente An-dreu Luiz Silva de Carvalho, à época com 17 anos, e o agre-diram por quase uma hora, cau-sando traumatismo craniano e outras lesões. A denúncia relata ainda que os agentes Wallace Crespo Rodrigues (Seu Gaspar), Dorival Correia Teles (Paredão) e Arthur Vicente Filho (Mais Velho ou Coroinha) não só foram omissos em evitar as agressões que resultaram na morte do rapaz, como participaram da agressão, dando socos e chutes.

“O MP atuará sempre com rigor nos casos de violação da lei, sobretudo quando praticadas por agentes do Estado”, diz o Promotor de Justiça Sauvei Lai, Titular da 30ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos.

Por conta da superioridade nu-mérica (eram seis contra um) e de armas, os agentes foram de-nunciados por homicídio qua-lificado (mediante recurso que dificultou a defesa da vítima), com dolo eventual (assumindo risco de as agressões pro-vocarem a morte de Andreu), e com o agravante de o crime ter sido cometido com abuso de au-toridade. Caso sejam conde-nados, poderão cumprir pena que varia entre 12 e 30 anos de reclusão. O caso foi investigado pela 37ª DP (Ilha do Gover-nador). 


 

Manter a mobilização é decisivo

 

Essa decisão foi muito importante para que seja feita justiça no caso de Andreu. Como todos sabem, junto a incansável luta de Deize, toda a mobi-lização, as ações de denúncia, as panfletagens, manifestações di-ante dos órgãos de justiça, do Instituto Médico-Legal, foram fundamentais para que essa decisão fosse tomada.

 

Demonstra também que é po-ssível punir criminosos, mesmo os que vestem fardas e se es-condem nos órgãos do estado para praticar seus crimes. Significa também um estímulo a todas aquelas famílias que so-freram com o mesmo tipo de crime, e que querem e tem, direito à justiça.

 

A luta por justiça de Deise deve servir de exemplo e estímulo para você, mãe, pai, irmão que teve algum ente querido agre-dido ou assassinado por esse sistema repressor. Não permita que a violência sofrida por seu filho, irmão, neto caia no esquecimento. Junte-se a luta de Deise. Junte-se à nossa luta. Não aceite a impunidade. O Estado não pode de maneira nenhuma, agredir, torturar ou matar seu filho, mesmo que ele esteja preso.

 

Para evitar que mais injustiças venham a acontecer, estamos convocando todas as famílias e os lutadores por justiça, demo-cratas, organizações e movimentos sociais que defendem os direitos do povo para realizar no dia 9 de julho um grande ato em defesa da justiça e pela punição dos assassinos de Andreu Luiz e de tantos outros que continuam cometendo arbitrariedades e infringindo a lei.


 

Exigimos justiça!

Punição imediata para os assassinos de Andreu

Justiça para todos os que sofrem nos porões do Degase!!!

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