MPF faz alerta após morte de indígena em rodovia


do GD News

Imagens: MPF

Segundo o órgão federal, a comunidade indígena sul-mato-grossense é obrigada a viver em acampamentos improvisados às margens de rodovias movimentadas

Por André Bento.

O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul se manifestou quanto à morte de um indígena na BR-463 ocorrida na semana passada. À ocasião, Sidnei Cario de Souza, 26 anos, morreu atropelado por dois ônibus em frente de sua filha, de nove anos. A violenta morte do indígena chocou a sociedade.

O MPF divulgou matéria sobre a tragédia e apontou a demora na demarcação de territórios indígenas como principal culpado por acidentes do tipo, comuns à região. Segundo o órgão federal, a comunidade indígena sul-mato-grossense é obrigada a viver em acampamentos improvisados às margens de rodovias movimentadas.

Morte anunciada

   (Sidnei Cario de Souza, 26 anos, morreu atropelado por dois ônibus na BR-463 /Foto: Osvaldo Duarte/Arquivo)

“Sem ter para onde ir, milhares de indígenas de diversas etnias transformaram a beira de rodovias em moradia permanente, com todos os riscos inerentes a esta situação. Sobrevivem apenas com a cesta básica da Funai e seguem um roteiro de morte anunciada, quer pelos efeitos da precariedade das condições de vida, quer pela violência   direta”, aponta o MPF.

Segundo o MPF, o caso de Sidnei de Souza é mais comum do que se possa imaginar. Como exemplo, os procuradores apontam o que chamam de “ironia”, ao recordarem que o pai do índio morto na semana passada também foi vítima de atropelamento. “Ironicamente, Sidnei morreu do mesmo modo que seu pai, o líder Kaiowá Hilário Cário de Souza, atropelado em dezembro de 1999, nas terras reivindicadas pelo grupo indígena como Tekohá Jukeri’y, pertencentes atualmente à fazenda Serrano”.

Violência e miséria

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul conclui também que outras mazelas vividas pelas comunidades indígenas decorrem desta indefinição. “A morte de Sidney Cario de Souza, de 26 anos, na última terça (28), é consequência direta de um drama comum aos 70 mil índios de Mato Grosso do Sul: a demora na demarcação dos territórios tradicionalmente ocupados pelos indígenas e o quadro de violência e miséria decorrente desta situação”.

Para o MPF, “por trás da violação dos direitos humanos dos indígenas, está o conflito fundiário”. Eles dizem uma batalha judicial se arrasta desde 2007, quando o MPF assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Fundação Nacional do Índio (Funai) estipulando prazo de dois anos para a definição de terras indígenas a partir de estudos antropológicos. (Com

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