NOTA DE REPÚDIO À AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO EFETIVA DE INDÍGENAS E FIST NO COMITÊ POPULAR #Eblog


PARA QUE SIMULAR DEMOCRACIA NO COMITÊ POPULAR  DA COPA E OLIMPÍADAS? –

NOTA DE REPÚDIO À AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO EFETIVA DE INDÍGENAS E FIST NO COMITÊ POPULAR

Nós, da Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST) e lideranças, militantes e apoiadores do Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), repudiamos formal e frontalmente a forma arrogante e excludente com que foram conduzidas as discussões para o ato contra a Copa das Empreiteiras e da Especulação Imobiliária, Financeira e Imagética, dia 30 de julho de 2011, na Marina da Glória, com agravo aos governos ditatoriais e genocidas de  Paes, Dilma e Cabral, em clara tentativa de neutralização de representantes legítimos e autônomos dos Indígenas, das Mulheres e dos Sem Teto – consolidando dissimuladamente, sob argumentação “progressista”, preconceitos há 511 anos arraigados, reciclando outros e adaptando terceiros de acordo à conveniência da situação.

O aparelhamento de burocratas partidários da democracia burguesa dentro dos movimentos sociais não é novidade, estarrecedora foi a arrogância e o cinismo com que o burocrata “Marcelo” – de sobrenome e ocupação desconhecidas, suposto dirigente de uma cooptadora,pelo menos aqui no Rio de Janeiro,  de movimentos sociais batizada como Central de Movimentos Populares (CMP),  sem histórico de luta, mas controlando os recursos dos ônibus, os nomes dos indicados à mesa na coletiva de imprensa e o comando do ato na Marina da Glória –  com alinhamento cínico e burocrático de representantes dos movimentos sociais burocratizados.

A FIST e o AIR repudiam esta manipulação nas  reuniões que antecederam o ato do dia 30 de julho e também no dia 30 de julho, quando a FIST sequer foi chamada para fazer uso da palavra, apesar de ter sido o movimento com maior número de pessoas.

Os critérios eurocêntricos, hierárquicos e elitistas com que foram conduzidas as discussões e “indicações” dentro doComitê supostamente Popular, tendo o “acúmulo de informações” como parâmetro para a “nomeação”  e reservando a fala somente para os Eike Batistas do intelecto – “pesquisadores” que, no conforto do ar condicionado e do teto garantido, cultivam adiposidade intelectual e abdominal misóginas, desconsiderando a experiência direta de onde germina todo o conhecimento genuínoassim como, a vivência dos verdadeiros impactados, Moradores de Ocupações da FIST, Indígenas, Mulheres  – lembra os valores caros à ideologia burguesa, elegendo sempre os mais dotados de talentos para “acumulação de capital” como os “mais aptos” (conceitos caros ao Partido da Aceleração do Capitalismo, grande protagonista e fiador das remoções e despejos, ao qual o representante cartorial no comando do Conselho Popular é filiado).  Como excluir a FIST e o AIR, que, na verdade, detém sim o conhecimento, tanto é que somados possuem dezenove Ocupações contra os governos federal, estadual e municipais (Rio de Janeiro, São Gonçalo e Niterói)?

Pergunta-se aqui por que se criar um comitê Popular Contra Copa e Olimpíadas, aberto à participação dos Movimentos Sociais, se as decisões já foram tomadas todas de antemão em simulação de democracia, restando à militância aguardar a claque e aplaudir, sendo massa de manobra de lideranças (monopolizando megafones e holofotes, operando ações inescrupulosas de acúmulo e usura de poder e visibilidade, de inspiração capitalista – de olho nos dividendos eleitorais). O autoritarismo e a ausência de discussão é velha conhecida dos Movimentos Sociais. A prática de silenciamento de lideranças autênticas, infelizmente, é costumeira dentro da esquerda brasileira e os militantes tanto da FIST quanto do AIR a conhecem muito bem – lembrando aqui que essas mesmas vozes silenciadas costumam ser exatamente as que carregam  o ônus das algemas, dos hematomas e das intoxicações por gás quando há verdadeiro enfrentamento (“pensam que somos bucha de canhão”, como diz com propriedade o veterano Korubo).  Tal fato ficou comprovado no ato, visto que o comando burocrático foi contra a ocupação vitoriosa do Aterro do Flamengo e a posterior negociação que os governos foram obrigados a engolir. Esta ocupação teve como protagonistas a FIST,o AIR, jornal  A Nova Democracia, professores de base do SEPE (“A camisa eu vou tirar, porque meu nome é Tupinambá!”), UNIPA e outros companheiros de luta.

Repugnamos aqui e repudiamos publicamente a forma folclórica e desrespeitosa com que representante de movimento social alinhado às posições da CMP tratou a liderança indígena, lembrando que antes mesmo dos bisavós dos bisavós dos avós dos burocratas aprenderem a pronunciar “Brasil”, aqui mesmo nessa heróica Aldeia de Uruçumirim, sede do que veio a ser o Município do Rio de Janeiro,  Povos Indígenas – organizados na I Confederação Tamoia  – já lutavam heroicamente contra as Remoções, contra o Genocídio e o Terrorismo de Estado (tendo no DNA retirado de um fio de cabelo de qualquer um de nossos militantes, Indígenas e Sem Teto, mais acúmulo de luta e resistência – e saberes e informações relativos às mesmas – do que em todas as centenas de milhares de quilômetros de leitura acumulados adiposamente – e totalmente desvinculados da realidade carnal, empírica, cotidiana – por qualquer um desses burocratas à serviço da democracia burguesa e da neutralização de vozes autênticas e efetivamente combativas).

Não custa lembrar que o governo do Partido dos Trabalhadores simulou realizar oitivas e audiências públicas sobre BELO MONTE e encenou, por meio da Comissão Nacional de Pelegos Indígenas, discutir a “Privatização da Funai” representada pelo Decreto 7056, não havendo discussão alguma de fato sobre nada (medidas e mega-projetos empurrados garganta abaixo), da mesma forma que as populações do Rio de Janeiro não foi consultada sobre os  Mega-Eventos, pagando o ônus por eventos que não solicitaram – e que o método de tomada de poder utilizado por um ator político para se apoderar de um ato público ou de um Estado já diz muito sobre a forma com a qual esse poder será conduzido e “compartilhado”. Por uma Democracia Direta e Participativa! Contra a Democracia Burguesa e a Elitização dos Movimentos Sociais! Não à Hierarquização à Serviço da Neutralização das Lutas! Não à Copa das Remoções e da Censura Prévia!

Ocupar! Produzir! Resistir!

Finalmente, convidamos a todos para participar do Grito dos Excluídos com democracia e respeito pela liberdade de expressão.

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