“É preciso matar a onça lá em cima!”


do site do CIMI

“Sou contra Belo Monte!”. “Não quero Belo Monte!”. “Temos que lutar contra Belo Monte!”. “Belo Monte não passará!”. Cada um dos participantes do seminário contra Belo Monte, que está sendo realizado nestes dias em Altamira, tem o mesmo objetivo: Parar Belo Monte. Não há outra opção para os povos indígenas, os pescadores, os ribeirinhos, os pequenos agricultores, oleiros, areeiros, estudantes e sindicalistas presentes.

 

Mesa dos indígenas

Hoje, dia 25, o seminário, que continua até o dia 27, se iniciou com uma mesa indígena. Representantes de cada povo presente explicaram por que são contra a usina. Os povos da bacia do Xingu relataram os impactos que vão sofrer. Assim, os Arara da Volta Grande explicaram que a pescaria acabaria e o transporte ficaria comprometido. Os Assurini do Pará temem as invasões que podem ocorrer, quando muitas pessoas são expulsas das suas casas e, sobretudo, quando as obras terminarem e milhares de pessoas ficarem sem emprego. Os indígenas de outras regiões compartilharam as dramáticas experiências que sofreram com a construção de hidrelétricas nas suas terras. Como Davi Gavião, do povo Gavião (PA).

Câncer

“Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”. Davi é jovem, mas sabe do que está falando. “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área, e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens!”.

 

João Lucas Krahô (TO), conta como seu povo Krahô continua sofrendo impactos de uma usina. “Não só os seres humanos serão impactados, mas também os animais. A usina vai acabar com os animais. Vimos isso com a usina de Tocantins. A usina acaba com nossos recursos, nossa alimentação, nossa água para beber!”.

 

Josué Karajá (TO) vai além da constatação e aponta os responsáveis pela destruição: “Lá na nossa região estão construindo a usina de Santa Isabel. Não queremos as usinas, porque fazem parte do PAC e o PAC só quer tirar recursos das terras indígenas, trazendo muitos problemas, muitos impactos. Dilma quer fazer o Brasil crescer, mas não vai fazer crescer os povos indígenas”.

 

Onça

Mas Dilma apenas é a cara dos verdadeiros interessados nas usinas e demais grandes projetos. São as grandes empresas que financiam as campanhas políticas dela e de Lula, apontam vários palestrantes ao longo do dia. Como dona Antônia Krahô, uma liderança de do povo Krahô (TO). “Sou contra hidrelétricas, mas também contra hidrovias e outros projetos que atacam nossa terra. Brancos invadem nossa terra, queimam nossa floresta. Queremos viver de nosso jeito, mas o branco está acabando com isso. A gente tem que ir atrás da onça que está lá em cima, porque não é só a Dilma não. Precisamos nos unir, com nossos cassetetes, nossas armas, e matar essa onça que está lá, que está comendo nossa terra, que está comprando nossas terras. Que quer tomar tudo. Aonde vocês quiserem, a gente vai atrás, para matar essa onça!”

Defensores

Juma Xipaia, representante dos Xipaia (PA), outro povo da região de Altamira que seria impactado por Belo Monte, concretiza a fala simbólica de Antônia. Ressalta primeiro que Belo Monte ainda pode ser barrado. “Belo Monte é fato consumado? Não! As máquinas estão aqui, mas a usina só vai sair se nós deixamos sair.” Mas é preciso agir: “Já fizemos tantas reuniões, tantos documentos, e deu em que? O canteiro de obras está sendo construído. Precisamos sair na rua, gritar, e fazer algo diferente. Vamos somar forças, unir nossas forças, mas não podemos continuar falando, enquanto as máquinas estão destruindo nossa natureza! A natureza está chorando, os rios estão implorando! O que vai ser o resultado desse encontro? Espero que vai ser algo mais, nós somos os defensores do nosso rio. Só nós!”.

Mesa dos pescadores

À tarde, se realizou a mesa dos pescadores, que vieram de várias colônias de pescadores ao longo do rio Xingu, na região impactada. Eles deixaram bem claro que para eles os impactos da construção da usina seriam muito dramáticos. A jusante da barragem, no trecho da Volta Grande que teria muito pouca vazão, o pescado vai quase desaparecer. Mas também a montante da barragem, os impactos seriam imensos. Primeiro porque a barragem vai impedir a migração dos peixes, impedindo inclusive a piracema, ou seja, a procriação. Segundo, porque várias ilhas desapareceriam de forma permanente no reservatório da usina. São estas ilhas que fornecem alimentação fundamental para muitos peixes. Também o desaparecimento de vários tabuleiros afetaria muito a natureza, porque são estes tabuleiros que os quelônios usam para a desova.

As falas de resistência dos pescadores são tão contundentes quanto as dos indígenas, resumidas na fala de Raimundo Braga Nunes: “Temos que nos unirmos, mais do que nunca, contra Belo Monte. Não podemos permitir que essa energia venha destruir nossos rios, nossa floresta. Pesca não vai ter mais. As ilhas com as árvores que alimentam os peixes vão ficar embaixo da água. Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.

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