População fecha estrada de acesso a maior projeto de mineração da Vale


do site Brasil de Fato

O protesto é contra a situação de isolamento que a companhia submeteu os moradores da Vila Racha Placa, em Canaã dos Carajás

14/06/2012

da Redação

 

Cerca de 100 moradores da Vila Racha Placa, também conhecida como Mozartinópolis, localizada no município de Canaã dos Carajás (PA), interditaram na manhã desta quinta- feira (14) a estrada de acesso às instalações do maior projeto de mineração da Vale, o S11D.

O empreendimento está localizado a 70 km da cidade de Canaã dos Carajás e, de acordo com informações da Vale, deve iniciar sua operação com a exploração de 90 milhões de toneladas de ferro por ano.

O protesto é contra a situação de isolamento e abandono que a companhia submeteu os moradores da Vila Racha Placa. Em 2010, a Vale comprou todas as propriedades do entorno da comunidade e exigiu que os donos das terras vendidas destruíssem as casas que tinham na vila. Cerca de 60 famílias pobres que moravam na vila e não tinham terras, mas garantiam seu sustento trabalhando nas propriedades vizinhas, ficaram sem trabalho e sem alternativa. A estratégia da Vale era desestabilizar a comunidade e, dessa forma, fazer com que as famílias concordassem em sair da área recebendo valores irrisórios.

Os moradores se negaram a sair e, num processo de organização apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Canaã, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular (CEPASP), exigiram que a Vale adquirisse uma área e fizesse o reassentamento do grupo. Exigiram, ainda, que a companhia pagasse o valor de um salário mínimo para cada família até que todos fossem devidamente assentados, considerando ter sido a Vale a responsável pelo isolamento da vila.

Em dezembro de 2010, a Vale concordou em atender as exigências da comunidade, iniciou o pagamento de um salário mínimo para cada família e adquiriu a terra para o reassentamento do grupo. No entanto, passado um ano e meio, o acordo não foi cumprido e as famílias continuam no mesmo local em situação de abandono e pobreza. Para piorar ainda mais a situação, há quatro meses  a Empresa não paga a ajuda de custo para as famílias. Sem alternativa, os moradores decidiram, na manhã desta quinta-feira, interditar a estrada de acesso ao empreendimento da Vale para exigir: o reassentamento das famílias até o mês de agosto; a retomada do pagamento da ajuda de custo para as famílias; a liberação do acesso às propriedades do entorno da vila para coleta de alimentos; e a retomada das negociações de outras questões pendentes que a Vale não vem cumprindo.

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