Cabeças de peixe atingem governador do Ceará Cid Gomes


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Uma manifestação pacífica e lúdica foi realizada nesta sexta-feira como forma de protesto contra a política educacional do governo do Ceará.

Cabeças de peixes foram usadas como metáfora e meio para mostrarmos nossa indignação perante o governo e a crônica falta de recursos para as universidades estaduais e todas as instituições de ensino.

Preparamos uma recepção “calorosa” e muito cheirosa ao Cid e sua comitiva, que vieram ao Crato para participar de uma reunião do P$B.

Na ocasião, estudantes e professor@s da URCA (Universidade Regional do Cariri) organizaram uma manifestação e se concentraram dentro do Crato Tênis Clube, aonde acontecia a convenção do partido. Com cartazes, faixas, apitos e panfletos, estávamos aguardando a chegada do governador. Ficamos mais de cinco horas escutando os jingles ensurdecedores, assistindo às apresentações deprimentes de “grupos culturais” da região (alienação e indústria culturais em suas formas explícitas), mas nos mantivemos firmes e decididos em não deixar o espaço e não desistirmos da manifestação, apesar de várias tentativas de dispersar o movimento promovidas pelas figuras ligadas ao gabinete do governador. Várias manobras foram usadas para convencer @s manifestantes de se retirarem do Crato Tênis Clube. Nós não desistimos de nos manifestarmos publicamente e compreendemos a necessidade de relembrar e chamar a atenção a alguns fatos.

A convocação para a manifestação foi feita de uma maneira plural, por várias pessoas ligadas ao Movimento em Defesa da URCA. E o chamado foi para a MANIFESTAÇÃO, não para uma reunião com o governo, nem para uma negociação. O objetivo era tornar pública a situação precária da URCA. No entanto, ao saber da manifestação, os assessores do governador procuraram os “líderes” do movimento e propuseram uma negociação (colocamos entre as aspas – líderes – porque o Movimento em Defesa da URCA é um movimento apartidário, autônomo e organizado de uma maneira horizontal; não temos líderes, somos contra as lideranças).

Queriam trocar a manifestação pelas promessas furadas de sempre (durante os últimos anos houveram inúmeras promessas por parte do governo em relação à situação precária da URCA; estas promessas não foram cumpridas; as propostas de negociação são usadas como manobras para não expor publicamente a política de precarização da educação no Estado do Ceará). Infelizmente, a maior parte de manifestantes concordou em participar desta reunião de portas fechadas, marcada na última hora, com a reitora da URCA Otonite Cortez e o governador Cid Gomes. Pelo que soubemos, o resultado desta reunião foi, no mínimo, lamentável. Ouve declaração do governador de liberação de milhões de reais para a URCA: declarações que não passam de uma piada, já que sabemos da situação que vivemos no dia a dia na universidade. Além disso, estudantes presentes foram convidados pelo governador a “tibungar no canal do Crato” (este canal há mais de um ano foi destruído pelas enchentes, causando danos aos transeuntes e moradores, que até hoje encontram-se em uma situação de risco de vida; os recursos necessários para a reconstrução do canal não foram liberados pelo governo); e um estudante foi agredido pelo ex-ministro do governo Lula, Ciro Gomes, ao questionar sobre o projeto de aquário megalomaníaco, cuja construção custará aos nossos bolsos mais de 240.000.000 de reais.

Nós não fomos para esta reunião. Preferimos nos manifestar publicamente.

Jogamos os peixes podres aos pés do governador e sua comitiva. Algumas cabeças de peixe voaram até a cabeça do governador. Nosso recado foi dado. Fedor, podridão – é isso que caracteriza as políticas do governo; principalmente, mas não somente, no campo de educação.

Dado o recado, continuamos com nossos cartazes e apitos, tentando impedir a fala do governador e sobrepor as nossas reivindicações. Fomos reprimidos de uma maneira violenta por Ciro Gomes, ex-ministro, e seus capangas. Levamos chutes nas cabeças e nos corpos, fomos derrubad@s no chão, levamos cadeirada. E roubaram nossos apitos e a mochila de uma das estudantes. O companheiro que estava tentando registrar a agressão foi derrubado no chão e, ao sair do Crato Tênis Clube, foi perseguido pelos capangas armados do governador que queriam a câmera. Ele teve que correr vários quarteirões e se esconder num restaurante, onde os capangas o ficaram vigiando, impossibilitando-o de sair.

Apesar da violência sofrida, estamos bem e continuamos firmes. As agressões físicas foram registradas e nesta segunda estaremos entrando com processo contra Ciro Gomes na Delegacia de Mulher, em Crato.

Continuaremos nos manifestando até a solução definitiva de todos os problemas da universidade e do sistema de educação.

O cheiro de peixe podre perseguirá Cid Gomes em todas as aparições públicas.

Conclamamos aos movimentos sociais, coletivos artísticos e grupos de afinidade a compartilhar dessa forma de recepção do governador.

Nossa manifestação foi lúdica e escolhemos as cabeças de peixes como metáfora da política autoritária do governo do Ceará.

  1. As cabeças de peixe representam (pelo fato de peixes serem degolados e mortos violentamente) a violência do governo do Estado do Ceará. Esta violência foi praticada mais uma vez nesta sexta-feira e é uma prática constante do governo aplicada para reprimir as manifestações pacíficas e as reivindicações de vários grupos sociais. Lembremos da repressão contra os professores do ensino médio durante a greve; lembremos das remoções violentas de moradores de Fortaleza e outras regiões do Estado por causa da Copa Mundial de Futebol, da ampliação do complexo industrial do Pecém, da especulação imobiliária, da implantação de indústria da energia “limpa” eólica, da extração de urânio e de outros empreendimentos que visam somente o enriquecimento das elites e o empobrecimento e a precarização da existência da população.

  2. A podridão dos peixes é uma metáfora de tudo que é podre nas políticas do governo. A mídia, mesmo dominada pelas elites e pelo governo, noticia de vez em quando os escandalosos desvios de dinheiro público. A corrupção reina no governo do Ceará. Todas as estruturas deste governo são podres. Enquanto negam-se recursos básicos a nossa universidade (faltam professores, infraestrutura dos campi está mais que precária, falta material de consumo básico; faltam salas, faltam cadeiras, falta tudo), o governo anuncia a construção superfaturada de um aquário.

  3. E os próprios peixes são justamente a alusão à construção deste aquário. Quem dera ser um peixe!

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