IV SEMINÁRIO (INTERNACIONAL) DE HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA: ÍNDIO CABOCLO MARCELINO – HISTÓRIAS, CULTURAS E LUTAS DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA


IV SEMINÁRIO (INTERNACIONAL) DE HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA: ÍNDIO CABOCLO MARCELINO – HISTÓRIAS, CULTURAS E LUTAS DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA
&
II JORNADA (INTERNACIONAL) O MAL ESTAR DA CULTURA: MEDO
27, 28, 29 DE SETEMBRO DE 2012
OLIVENÇA – ILHÉUS – BAHIA
ALDEIA SEDE: GWARINI TABA ATÃ

CAMINHADA TUPINAMBÁ EM HOMENAGEM AOS MÁRTIRES DO MASSACRE DO CURURUPE E CABOCLO MARCELINO
30 DE SETEMBRO DE 2012
OLIVENÇA – ILHÉUS – BAHIA
http://seminariocaboclomarcelino.blogspot.com.br/
“É tupã no céu
e o Índio na terra
bora vê quem pode mais”

Temos a alegria de convidar para o IV Seminário de História e Cultura Indígena: Índio Caboclo Marcelino. O evento tem sua história relacionada ao desejo de discentes e docentes da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC em tornar a temática indígena como um dos temas fundamentais desta instituição. Surgiu em 2008 como uma atividade da disciplina História Indígena do Curso de História da UESC (Ilhéus/Bahia). Foi realizado novamente em 2009 e em 2010 não aconteceu. Ressurgiu em 2011 como uma resposta de um grupo de pessoas dentro e fora da UESC, indígenas e não indígenas, às perseguições, criminalização, reintegrações de posse e prisões que sofre a Comunidade Tupinambá de Olivença.
Neste ano (2012) estamos chamando o evento de Retomada do Seminário pela Comunidade Tupinambá porque ele será totalmente realizado naquela comunidade e marcado pela: Autodemarcação Territorial que os Tupinambá realizam no sentido que aconteça o mais rápido possível a demarcação de suas terras; e pela criação do Grupo de Observadores Nacionais e Internacionais de Apoio à Luta do Povo Tupinambá de Olivença.
O evento vem ganhando expressão e importância também por seu caráter interdisciplinar (participam: historiadores, educadores, antropólogos, sociólogos, psicanalistas, geógrafos, jornalistas, profissionais da área jurídica) e, fundamentalmente, pela presença da população indígena. O Seminário é internacional porque conta a participação de argentinos, colombianos e franceses.
Mas, acima de tudo, o Seminário importa por vivermos numa região (Sul da Bahia) formada por povos indígenas que ainda encontram-se na luta pela demarcação de suas terras ancestrais, contra a criminalização e perseguições que sofrem: Tupinambá, Pataxó, Pataxó Hã Hã Hãe.
Por isto que a organização do Seminário Caboclo Marcelino ocorreu através de reuniões na comunidade e ouvindo lideranças e caciques. As Aldeias e Áreas foram escolhidas por causa da localização: perto do centro de Olivença, facilitando o acesso, e na região de Santana no sentido de fortalecer as retomadas mais recentes.
A intenção é cada vez mais contar com a presença dos povos indígenas na organização do evento e em todos os seus momentos como participantes em suas mesas, oficinas, seminários, mostras de filmes e expressões culturais/rituais, a exemplo do Porancy. Portanto, é um Seminário que possui a UESC como uma das realizadoras porque surgiu incialmente na Universidade e tem entre seus organizadores estudantes e professores da universidade. Entretanto, queremos que seja cada vez mais organizado a partir da Comunidade Indígena. Isto é, uma Retomada do Seminário pelos Tupinambá de Olivença e outros indígenas que participem de sua organização e realização.
É um evento que envolve a comunidade indígena e não indígena. Por isto nas rodadas de conversa tem sempre a presença de índios e não índios. Nesta direção a parceria com a Jornada Mal Estar na Cultura – Medo só enriquece o evento pelo histórico cultural e social dos que formam o Projeto Etcétera e Tal … Psicanálise e Sociedade. Os horários do evento são diferenciados em decorrência das distâncias e da diversidade de lugares de seus participantes.
Salientamos que este Seminário, que carrega em seu nome a importante figura do guerreiro indígena Caboclo Marcelino, tem como um de seus propósitos ser um evento que não fique restrito ao mundo acadêmico. O objetivo é que ele seja resultado da ação da comunidade local/regional, especialmente, a indígena. Por isto a ideia é que o Seminário ocorra sempre no mês de setembro, próximo ao último domingo, quando acontece a “Caminhada Tupinambá em Memória aos Mártires do Massacre do Rio Cururupe e à Luta de Caboclo Marcelino” (30/09/2012).
Deste modo, queremos que este evento não ocorra apenas por uma necessidade acadêmica ou resultante da obrigatoriedade estabelecida pela Lei 11.645, de 10 março de 2008, que: “estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
Ao mesmo tempo, vale salientar que a proposta do Seminário é ampliar, aprofundar e contribuir com a discussão sobre a história, memória, cultura e lutas (passadas e atuais) dos povos indígenas do Sul da Bahia, mas também de outros lugares, no Brasil e na América Latina. Desejamos contribuir com a luta contra a criminalização, atentados e racismo que vivencia a população indígena brasileira e latino-americana na luta por suas terras ancestrais e reconhecimento étnico:
A força dos povos indígenas brasileiros, assim como da América, vem da natureza de “la Madre Tierra” – Pachamama”. A luta pelas terras tradicionais não é para a obtenção de propriedades. É a luta pelo sagrado, pela natureza e por aqueles que mais a preservam: os índios. Quando um índio está na natureza ele não está só. Com ele estão: o sagrado, seus ancestrais, os parentes mortos e vivos. Como escreveu Aguirre Rojas sobre a luta indígena em Chiapas no México: “los dignos indígenas rebeldes de Chiapas hablan de la tierra la que para ellos, igual que para los indígenas ecuatorianos o bolivianos, y también para los índios brasileños (ou argentinos), no connota a un simple bien comercial y transferible, ni a un pedazo geográfico del terreno degradado a la condición de mercancía, sino más bien a la verdadera “Madre Tierra”, a la “Pachamama”, concebida como fuente general e imprescindible de la vida…” (SANTOS, Carlos José F. ”A Solidão na Metrópole: a cidade Pós-Moderna”. In: Ia. Jornada Internacional “Mal-Estar en la Cultura: la Soledad. São Paulo/General Del Pico: Proyecto Etcétera y Tal… psicoanálisis y sociedad – Digitado, 2011)

Desta forma, fazemos nossas as palavras que estão no sítio Índios Online:

O Estado Brasileiro tem uma dívida histórica com os Povos Indígenas, é preciso mais que urgente que todos os cidadãos brasileiros somem forças para cobrar que esta dívida seja definitivamente paga com a demarcação dos Territórios Tradicionais. É por causa dessa inércia do Estado que somos obrigados a fazer por nossa conta e risco a auto-demarcação de nossos Territórios Tradicionais. Nós Indígenas não somos invasores de terras. Quando o Brasil foi invadido pelos portugueses, aqui já existiam os hoje chamados indígenas. Nossos ancestrais já habitavam este território chamado Brasil(http://www.indiosonline.org.br/novo/cacique-maria-valdelice-presa-injustamente/comment-page-1/#comment-15881).

Bom Seminário para todas e todos!

Oração do sol
Oh grande espírito, cuja voz ouço nos ventos e cujo alento dá vida a todo o mundo.
Ouve-me!
Sou pequeno e fraco, sou pequeno e fraco, necessito de tua força e sobedoria.
Deixa-me andar em beleza e faz com que meus olhos possam sempre contemplar o vermelho e a púrpura do pôr-do-sol.
Faz com que minhas mãos respeitem tudo o que fizeste e que meus ouvidos sejam aguçados para ouvir tua voz.
Faz-me sábia e sábio para que eu possa compreender as coisa que ensinaste ao meu povo.
Deixa-me aprender as lições que escondestes em cada folha, em cada rocha.
Busco força, não para ser maior que meu irmão e irmã, mas, para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo .
Faz-me sempre pronta e pronto para chegar a ti com as mãos limpas e com o olhos firme a fim de que, quando a vida apooar, como se apooa o poente, o meu espírito possa estar contigo sem se envergonhar.

Awere!!!

OUTRAS INFORMAÇÕES

Para os que não pertencem a comunidade indígena: precisamos do nome inteiro e informações como: profissão, atuação, entidade, faculdade, instituição. Por isto, por favor, preencha a ficha de inscrição neste endereço: .Todos receberão certificados de participantes das rodas de conversa (mesa redonda) até porque todos nos seremos “palestrantes”.
Hospedagem: A Pousada que estamos indicando é a que fica mais próxima do evento. Pertence à Valdo e Jonas que estão informados sobre o seminário. A diária para o casal é de 40,00 reais. O telefone deles é: (73) 3269-1012 . Se quiserem ligar pra confirmar a hospedagem digam que é para o Seminário.
Trazer: repelente, protetor solar, roupa de cama, toalha, colchonete (caso possível).
Colaborações: solicitamos como colaboração alimentos, especialmente feijão, mas também pode ser carne do sol, charque, arroz, macarrão, óleo. Estaremos fazendo também uma arrecadação não obrigatória de 10,00 reais (ou outro valor maior) para outros custeios como gasolina. As doações de alimentos serão feitas no Colegiado de História da UESC ou no dia do evento. A alimentação será por conta de cada um dos participantes, mas tentaremos fazer o máximo para baixar os custos das mesmas. OBS: o evento não tem patrocínio e verba nenhuma, porém, todas as doações não são obrigatórias.

INSCRIÇÕES
http://seminariocaboclomarcelino.blogspot.com.br/

PREENCHER A FICHA DE INSCRIÇÃO E ENVIAR PARA:
sem.caboclomarcelino@uol.com.br

Comissão Organizadora IV Seminário de História e Cultura Indígena – Caboclo Marcelino

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