PF e MPF investigam suposta ‘Máfia dos Cartões’ em Dourados


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Proprietários de mercados e mercearias estariam retendo cartões de aposentadoria e bolsa família pertencentes a indígenas para liberar compras.

A Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) abriram inquérito para apurar suposta ‘Máfia dos Cartões’ que pertencem a índios de Dourados e estariam em poder de comerciantes.
Segundo denúncia, proprietários de alguns mercados e mercearias dentro e fora da Reserva de Dourados estariam retendo cartões de aposentadoria e Bolsa Família para liberarem compras. A prática já é tão comum que é rotineira a entrada de vans e microônibus de comerciantes que buscam indígenas para efetuarem suas compras em seus estabelecimentos.
Além de ficar refém desses empresários, já que segundo denúncia, as famílias são obrigadas a comprar apenas nestes locais, há denuncia de que os índios pagam todo o salário por pouca comida. De acordo com lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó, os comerciantes denunciados seriam do ramo alimentício e vestuário. Eles estariam espalhados pela Reserva e bairros de Dourados. De acordo com lideranças dos indígenas, o fato é que a maioria das famílias, com pouca instrução, são facilmente exploradas.
Segundo eles, os índios se tornam presas fáceis para golpistas que se aproveitam da fragilidade das vítimas para os negócios e práticas comerciais. Os cartões bancários de aposentados, pensionistas ou beneficiários de programas do governo federal como o Bolsa Família, seriam utilizados para garantir o pagamento de compras.
Segundo ainda as lideranças, o comerciante vende a prazo para o indígena, mas retém o cartão dele e no dia do pagamento do benefício o próprio comerciante ou um funcionário do estabelecimento vai até o caixa eletrônico e faz o saque da conta do indígena.
Em outras situações há denúncias de que no dia de receber o pagamento os comerciantes levam grupos de indígenas para o interior dos bancos para sacarem o benefício. O dinheiro recebido serve para quitar a dívida junto ao comércio, que abre novo “crédito” para as compras do mês seguinte.
A prática, realizada sem nenhuma fiscalização, abre margem para verdadeiros “roubos”, já que alguns indígenas não sabem quais foram o valores sacados e se estas quantias são, de fato, o que eles tinham consumido nos estabelecimentos.
De acordo ainda com as lideranças, a retenção do cartão, por parte de comerciantes, gera o que eles chamam de “escravidão financeira” do indígena, já que ele sempre vai permanecer endividado naquele estabelecimento e conseqüentemente perde a liberdade de procurar atendimento em outras mercearias e buscar melhores preços.
O Ministério Público Federal diz que tem dois inquéritos em aberto no estado; um em Campo Grande e outro em Dourados. Já a Polícia Federal inicia o processo de ouvir testemunhas e suspeitos. Há informação de que alguns comerciantes já estão sendo indiciados. Em 2001 mais de 1 mil cartões foram retirados de comerciantes e devolvidos a índios. O comerciante flagrado pode responder por crime de estelionato e prisão.

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