Querem a todo custo calar a nossa voz, mas não irão conseguir!


Nós do Povo Tupinambá estamos em um processo de retomada de nosso Território Tradicional. Estamos fazendo à nossa própria conta e risco a autodemarcação de nossa Terra Indígena já que o Estado Brasileiro não vem cumprindo com o seu dever de demarcar, estando o Processo Administrativo de Demarcação de nosso território paralisado e nós cansados de esperar. Os conflitos são constantes. São muitos os casos de violência e mortes que acontecem e criminalização de nossas lideranças durante as retomadas, porém fazer as Retomadas é o único meio que temos de pressionar para a Justiça acontecer e de sobrevivermos visto que não temos terra para viver nosso modo de vida e tirar nossa subsistência.

 

Em Outubro de 2009 fizemos uma série de retomadas na região de nosso Território conhecida como Santana. Nestas retomadas fizemos um trabalho forte de ciberativismo com publicações diárias de nossas retomadas em nosso Portal Índios On Line. Queríamos mostrar ao Mundo o que estava acontecendo em nossa área, o que queríamos com as retomadas e como as retomadas eram e são executadas de forma pacífica. Estávamos desta forma documentando tudo em forma de vídeos e fotos: as áreas abandonas pelos fazendeiros, as roças cheias de mato, e que depois de retomadas: os fazendeiros retirando seus bens, a forma pacífica de nossa ocupação, as famílias indígenas plantando seus alimentos, limpando a roça, devolvendo vida às áreas abandonadas pelos fazendeiros.

 

Há dois anos atrás fui surpreendida com a intimação para responder um processo sobre Direito de Imagem contra mim e contra a Ong Thydêwá, parceira do nosso portal www.indiosonline.net . O fazendeiro tentando nos intimidar moveu todos os tipos de ação que pôde! Nossa Cacique Jamopoty foi inclusivepresa neste período! Outras Lideranças nossas também foram criminalizadas. O processo em que eu também fui ré foi extinto pois por eu ser indígena o Juiz entendeu que deveria correr na Justiça Federal. Não se contentando foi dado entrada em um novo processo desta vez tendo a Ong Thydêwá apenas com ré. Eles pedem como indenização R$ 15.000,00 alegando que o vídeo feria o direito de imagem do fazendeiro e de seus parentes, sendo que o mesmo sabia que estava sendo filmado e havia concordado em gravar o vídeo e sabia que este seria para mostrar nossa ação pacífica. Surpreendentemente e de forma pra nós dolosa, mudou de atitude, sem conversar conosco busca hoje nos prejudicar legalmente.

 

Deste processo foi concedida liminar favorável aos fazendeiros e fomos obrigados a retirar de nosso portal a matéria e os vídeos de nosso Canal Celulares Indígenas sem ao menos o vídeo ser visto e analisado pela Justiça, sob pena de multa de R$ 400,00 por dia de não cumprimento. O fazendeiros se dizem “constrangidos, humilhados,  e colocados em situação vexatória”. O nosso vídeo apenas mostrava os fatos. Mostrava que a Retomada foi pacífica e que eles puderam retirar todos os seus bens materiais. Aliás, a Tv local Santa Cruz, filiada à Rede Globo também fez uma matéria informativa… será que processaram também a Tv Santa Cruz? Passados 02 anos o processo continua correndo no Juizado especial Cível de Itabuna-Ba. Uma pessoa solidariamente e assumindo a responsabilidade plena postou o vídeo dentro de seu blog, quem quiser ver o vídeo e ver como ridícula foi esta ação poderá ver no site www.emilianojose.com.br.

 

A Thydewa, parceira dos Índios on Line, está sendo incriminada por apoiar o protagonismo dos indígenas na busca por seus direitos. Sabemos que na verdade o que querem é calar a nossa voz, mas não conseguirão, pois somos Etnojornalistas, Ciberativistas e fazemos um trabalho sério e assim como existe o Direito de Imagem também existe o direito à Livre Expressão, o Direito de Imprensa e quando um “Índio on Line” noticia fato de seu cotidiano está fazendo isso em primazia do interesse social, nós não estamos cometendo crime algum.

 

 

Nós indígenas não temos vez na mídia Global. Só saímos nas Tvs como preguiçosos, invasores de terras, quando na verdade somos guerreiros e estamos RETOMANDO o que nos foi roubado. A mídia oficial é contra nós indígenas, em nossa região quando saímos na mídia é para sermos taxados de ladrões e supostos índios. São poucas as mídias alternativas que nos apoiam. Índios on Line vem denunciando muitas irregularidades, abusos, violência. Muitas destas denúncias tem trazido bons resultados, acelerando processos, levando consciência para a opinião pública. Muitos índios on line sofrem inclusive tentativa de suborno, do tipo: “Você é muito inteligente, você poderia vim trabalhar conosco… mas se a gente te der um emprego, você não poderia mas publicar estas coisas” Quando o indígena já é funcionário muitas vezes é intimidado: “Você escrevendo uma coisa destas … você está querendo perder seu salário? E sua família vai viver como?”. Eles querem a todo custo nos calar mas não irão conseguir!

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Povo Tupinambá de Olivença encontra-se no Sul da Bahia entre os Municípios de Ilhéus, Una e Buerarema. Diziam que o Povo Tupinambá havia sido extinto, mas estamos aqui. Hoje somos mais de 06 mil Tupinambá. Fomos reconhecidos como povo pela Funai em 2002 e tivemos o processo de Demarcação de nosso Território com sua delimitação publicada em Diário Oficial em 2009, nos dando direito à 47.376 hectares. Hoje nosso processo de demarcação encontra-se paralisado e sabemos que existem muitas forças que querem que ele continue desta forma. Se os prazos fossem cumpridos hoje estaríamos com nosso Território em nossas mãos e não precisaria nenhum Tupinambá estar nas favelas e periferias,poderíamos plantar e colher e viver nosso modo de vidaContinuamos fazendo nossas retomadas, e continuamos sendo perseguidos, mas sabemos que não podemos ficar parados. Precisamos lutar pelos nossos Direitos ancestrais.

Para conhecer mais sobre o povo Tupinambá de Olivença:

http://www.thydewa.org/downloads/tupinamba.pdf

http://www.thydewa.org/downloads/nostupinamba.pdf

http://www.thydewa.org/downloads/somos_patrimonio.pdf

http://www.thydewa.org/wp-content/uploads/2012/10/memoria.pdf

 

Esta matéria foi publicada originalmente na Rede Índios on Line – www.indiosonline.net

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