Carta da liderança Ládio Veron da área indígena em conflito Takuará-Juti-MS


Carta da liderança Ládio Veron da área indígena em conflito Takuará-Juti-MS

 

Sou Ládio Veron, conselho da Aty Guasu e líder do território em conflito Takuará, hoje 26/03/2013, por volta da 18h30min, de forma surpresa, chegou uma caminhonete de cor preta à minha casa em Takuará. Dois homens não-índios “brancos” desceram do veículo e os restantes permaneceram no interior da caminhonete. Um dos homens se apresentou como arrendatário da fazenda Brasília do Sul, o seu nome seria Ademir. Ele portou um papel na mão e começou a me falar. –“sou Ademir, arrendatário da fazenda Brasília do Sul”.  “Fiquei sabendo que vocês índios estão querendo impedir os meus tratores de fazer a derrubada do restante da mata ciliar”. “Por isso, vim te entregar uma cópia de autorização de documento do IMASUL que me autorizou para derrubar os restantes da mata ciliar que vou plantar a soja e cana”“Vocês índios não vão impedir o meu trabalho. Entendeu?” Assim, falou-me com tom da voz nervosa e entregou-me uma cópia de autorização/declaração Ambiental Eletrônica Nº 524/2013 do Instituto do Meio Ambiente do MS (IMASUL) que se encontra comigo. Diante disso, comecei a narrar para ele que a há uma ordem e decisão da justiça que impede da destruição da floresta aqui. Além disso, as ilhas das matas ciliares que senhor está derrubando ficam dentro da terra indígena demarcada e já reconhecida pelo Ministro da Justiça. Assim, falei e lhe entreguei também uma cópia de documento da Terra Indígena Takuara assinado e publicado no Diario Oficial da União pelo Ministro da Justiça. Ao pegar esse documento da T.I. Takuará, o arrendatário respondeu-me assim: – “esse documento teu para nós não tem validade não!, portanto não presta não!”, “esse documento teu não vai impedir o meu trabalho aqui”, “ o meu documento que vale aqui”.

Falei também para ele que nossa comunidade vai tentar impedir da derrubada da mata ciliar sim. Nosso documento tem que valer sim. Na situação em que, o arrendatário ficou nervoso e prometeu-me que vai ter voltar falar comigo, mas de outra forma. Senti me ameaçado, por isso, respondi que retornarei a falar com ele só perante das autoridades da justiça federais.

 

De fato, já faz seis (06) dias que esse arrendatário introduziu 12 tratores grandes para derrubar as matas ciliares, e começaram a derrubar tudo, devastando as ilhas das matas localizadas no interior da Terra Indígena Takuara demarcada pelo Governo Federal. Frente à derrubada e destruição de nossa mata onde há ainda plantas medicinais, etc, ontem 25/03/2013, nós lideranças da T.I. Takuara fomos até MPF/Dourados-MS onde registramos o fato acontecido com os restantes da floresta. Em decorrência disso, hoje, o arrendatário Ademir passou a me intimidar e ameaçando-me a fim de parar de denunciar a derrubada da mata pelo arrendatário Ademir. Vim por meio dessa carta, mais uma vez, solicitar a providência cabível ao fato relatado.

Aguardamos a posição e ação urgente das autoridades federais.

Atenciosamente,

 

Tekoha Guasu Takuará-Juti-MS, 26 de março de 2013.

 

Ládio Veron

Conselho da Aty Guasu e líder da Terra Indígena Takuara

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