Impedida de acompanhar negociações, advogada de manifestantes é citada pela Justiça


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Convocados para reunião com Norte Energia, lideranças dos agricultores e advogada de direitos humanos foram abordados por oficial de justiça com um mandado proibitório que prevê multa de R$ 50 mil

Publicado em 22 de março de 2013 
Maira
Após ocupação de um dos canteiros de obra  de Belo Monte na madrugada desta quinta, 21, os construtores da usina convocaram  manifestantes indígenas e agricultores para uma reunião de negociação em Altamira no final da tarde. No local da reunião, porém, lideranças dos agricultores e a advogada de direitos humanos, Maira Irigaray, foram abordados por um oficial de justiça com um mandado proibitório que repete a decisão da Justiça expedida contra o Xingu Vivo em 14 de março. No mandado, os citados ficam impedidos de se manifestar em áreas da empresa sob pena de multa de R$ 50 mil.
Pouco antes da citação, a advogada, que acompanhou os manifestantes durante toda a ação, também foi impedida pela Norte Energia de participar da reunião. “Cheguei junto com a imprensa local. Pediram para que os jornalistas e eu nos retirássemos. A imprensa saiu e eu fiquei a pedido dos indígenas. Em seguida,  chegaram dois agentes da Força Nacional e disseram que eles só sairiam se eu saísse. E que se eu não me retirasse não haveria reunião. Na minha saída, fui abordada por um oficial de justiça com um mandado proibitório. Algumas lideranças de colonos também receberam o mesmo mandado”, relata Maira.
A citação dos agricultores no local em que participariam de reunião com uma das partes litigantes foi considerada uma armadilha pela advogada. “Primeiro, é um absurdo que a Justiça ‘requente’ uma liminar, que já criminalizou os movimentos sociais semanas atrás, para criminalizar representantes das vítimas de abuso e violações de direitos por parte dos construtores de Belo Monte. Pior, porém, é fazê-lo quando foram convocados para uma reunião de negociação”, afirma Maira.
A liminar foi expedida pela juíza substituta Caroline Slongo Assad, da 1ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Pará, no processo N°. 0001485-05.2013.814.0005. A ocupação do canteiro Pimental foi encerrada após a reunião. De acordo com os manifestantes, não foi definido nada, além de novas reuniões.
Detenção de ativista
Ainda durante a ocupação do canteiro de obras, o ativista mexicano Ivan Castro Torres, que estava fotografando a ação, foi abordado pela Polícia Federal e instado a deixar o canteiro, o que fez prontamente. Do lado de fora, ele foi colocado dentro de uma viatura e levado para local desconhecido. Questionado, o delegado da PF disse apenas que tinham levado Ivan “para um lugar seguro”. O ativista foi encontrado horas depois às margens da rodovia Transamazônica, sem alimentos, água e documentos, que tinham ficado no canteiro.
Trabalhadores
Com a ocupação do canteiro, os trabalhadores que ficam alojados na obra foram retirados do local e mandados para Altamira. Segundo os operários, ao chegar na cidade, o RH da empresa os enviou, escoltados, de volta para o canteiro alegando que tudo estava sob controle. Em sua chegada, os manifestantes pararam os ônibus na beira da estrada e pediram para que os operários descessem. Houve um momento de tensão entre manifestantes e trabalhadores, que acabaram se conversando. De acordo com um operário, houve a suspeita de que a manobra teve intenção de instigar um conflito entre trabalhadores e manifestantes para poder justificar o uso de força por parte da polícia. “Isso foi quase 3h da tarde; os trabalhadores estavam desde às 5h da manhã sem água ou comida, por conta da confusão”, disse ele.
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