Ato Sem Organização Só Pode Acabar em Merda


Ontem foi divulgado um ato contra o aumento da passagem na esquina da Av. Guido Caloi com a Estrada do Mboi Mirim https://www.facebook.com/events/547698631938139/. Mesmo achando muito estranho e mesmo não tendo nenhuma organização assumindo a convocatória para o ato fomos lá verificar.

Fomos desde o Inicio da Avenida Guarapiranga até a Casa de Cultura do Mboi Mirim e retornamos até o local onde seria a concentração. Não havia nenhum manifestante neste local. Esperamos na Praça Vergueiro por uns quinze minutos e resolvemos sair dali, pois nos pontos de ônibus das proximidades constatamos a presença de policiais apaisana, os conhecidos P2, a espreita de quem chegasse para manifestar seu descontentamento com a péssima qualidade do transporte coletivo (que deveria ser público) e o aumento, acima da infração que a tarifa sofreu na cidade de São Paulo.

Sem ato para cobrirmos retornamos para casa e por volta de 23h00 recebemos informação que alguns adolescentes haviam sido detidos, por irem a este ato, convocado, conforme podemos avaliar, por espontaneistas, que acham que se constrói um ato assim a reveria.

Tivemos alguns contra tempo, mas logo seguimos ao 47º DP, na Estrada de Itapecerica. Para quem não sabe onde é, esta delegacia fica ao lado do 37º batalhão, onde trabalha o Esquadrão da Morte conhecido por Highlander, por decapitarem suas vítimas.

Chegamos por volta das 2h00 da madrugada, antes ligamos para familiares dos detidos para confirmar se ainda estavam por lá.

Chegamos lá nos deparamos com cena que é rotineira nas delegacias. Adolescentes detidos, sem a presença de um conselheiro tutelar. Outro agravante, é que os jovens estavam desde as 18h30, sentados do lado de fora do prédio do DP, passando muito frio e fome. Conversamos com familiares a respeito, e dois deles nos informou que tentaram falar com o delegado para que os mesmo aguardassem num outro local, protegidos do frio e do sereno. O escrivão truculento, ameaçou, “se forem exigir demais, eu escrevo aqui que é formação de quadrilha, eu posso complicar se eu quiser”. Isso porque o familiar disse ao escrivão que manter aquelas pessoas durante tanto tempo, sentadas no chão úmido, exposto ao frio e sereno e sem alimento se caracterizava maus tratos e com toda razão. Mas  o que esperar de agentes de segurança publica de SP? Os que efetuaram a prisão são do esquadrão da morte, do 37º batalhão e os policiais civis precisando de atendimento psiquiátrico.

Enquanto conversávamos do lado de fora com os familiares, chega um preso algemado, sem camisa e todo machucado, carregado por PM e PC que usavam luvas cirúrgicas. As pessoas relataram que ele foi detido suspeito de furtar a moto de um amigo dos Highlander e que fora levado a delegacia por volta das 22h30, sem nenhum arranhão, mas que após alguns minutos começaram a ouvir os gritos dele. Naquela hora, retornavam do IML, onde foram fazer exame. Relataram ainda que após ouvirem os gritos, escrivão, delegado e PMs com luvas, saíram com ele todo machucado, só de bermuda, as meias estavam molhadas, pois as marcas de seu pé ficava no chão. Os ferimentos no rosto, sem sangue, o deixou bem claro que lavaram o sangue que saiu dos ferimentos provocados por uma sessão de tortura.

Outros gritos foram ouvidos, vindo das salas internas da delegacia. Se tratava de um fragrante de tentativa de estupro. O PM disse a vítima que o procedimento ali é colocar ele com outros detidos e ali ele já iria sofrer as consequências por ter tentado estupro.

Bem, estes relatos dos outros casos foi só para caracterizar o ambiente onde foram levados aqueles jovens, todos iriam participar de seu primeiro manifesto.

A Força Tática mentiu para os pais, disseram que foram detidos fazendo baderna e cometendo vandalismo. Porém perguntamos aos detidos onde e em que situação foram abordados. “Estavamos sentados na praça, onde foi marcado a concentração, as faixas e vinagre estavam em nossas mochilas, os pneus já estavam num canto lá da praça, inclusive longe de onde  a gente estava sentados e o álcool só vimos aqui, não sabemos de onde os policiais tiraram. Chegaram lá dizendo que o dono da adega que havia chamado eles, o que duvidamos”. Ou seja, além das faixas e frascos de vinagre que estavam com os jovens, quiseram forjar uma barricada de pneu e fogo. Típico da PM da SP.

Alguns pais mais exaltados, insultados pelos investigadores, falavam “tudo isso só por causa de vinte centavos”, mas o que os agentes públicos não falaram é que vinte de um, vinte de outro e vinte de cada um dos 8 milhões de usuários diários de transporte coletivo (não publico) nesta cidade dá um montante diário que os pais daqueles jovens não receberiam em toda sua vida de trabalhador. Não falam a população que a arrecadação com o transporte de passageiros municipal é de mais de 6 bilhões mensal e esse dinheiro todo, que nem imaginamos seu valor real vai parar nas contas dos empresários, poderia até ir para os cofres públicos, que poderia ser empregado em educação, saúde e nos últimos 20 anos, poderia custear a tarifa zero. Isso eles não falam, mas os investigadores, escrivães, delegado ficavam falando que a policia (militar) estavam muito bonzinhos, pois deveriam ter metido a porrada, jogado spray pimenta, dado tiro de borracha, deveriam pegar mais pesados. Olha o conselho que davam aos decapitadores do esquadrão da morte, redundante o conselho, pois eles já pegam pesado até de mais.

O MPL tem que assumir as ações. Dar um norte a mobilização e as manifestações da população que está descontente. Para evitar situações como estas. Na periferia, um ato as 17h é contra os interesses do MPL, pois parar o transito à 3 km da casa dos trabalhadores na volta pra casa é no mínimo sacanagem. Na periferia deve haver ações pedagógicas, conscientização sobre a necessidade de ir as ruas. Saraus temáticos, viradas culturais contra o aumento e pela tarifa zero. Palestras nas escolas, nas associações de moradores, etc. Menos manifestações fechando a rua e trazendo bombas de efeito moral para dentro da casa dos trabalhadores. Esta é uma causa de toda a cidade e é legítimo que os atos se concentrem na região central, para que habitantes de todas as regiões possam participar e a cada dia o numero nas ruas dobrarem, e conseguirmos a tarifa zero.

Todos foram liberados sem precisar assinar nada, o que não significa que estão isentos de responder por algum processo.

Finalizamos com um depoimento que um dos adolescentes nos deu na saída do DP: eles falam que nós nem trabalhamos. Tenho 16 anos e realmente não trabalho, mas fui até lá pela primeira vez manifestar contra esse aumento aí, pois meu pai e minha mãe trabalham, sempre trabalharam e sempre pagaram esse preço alto por estes ônibus lotado e um metro que nem é metro aqui na região. Mesmo eu morando há mais de 3 km da escola onde estudo, vou e volto a pé, pois meus pais não tem condições de custear os gastos com a passagem. Por isso eu fui e agora vou em todos os atos contra o aumento. Terminamos de verdade parafraseando o Professor Dalmo Dalari, “Sem justiça, não há como ter paz”.

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