Nota do MIR – O dia que os excluídos foram excluídos do “Grito dos Excluídos” em São Paulo


Nota do MIR – O dia que os excluídos foram excluídos do

“Grito dos Excluídos” em São Paulo

 

O MIR, Movimento Indígena Revolucionário vem a público manifestar seu repudio à atitude da Pastoral Operária, na pessoa de Paulo Pedrini, que impediu 3 de nossas lideranças de fazerem uso da palavra no carro de som do ato do Grito dos Excluídos, no último dia 07 de setembro.

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A alegação dos organizadores (Pastoral Operária, Intersindical, CSP-Conlutas, PSTU, LBI, entre outras organizações), ali representados por Pedrini, foi que todos deveriam se manifestar durante o trajeto, entre a Praça da Sé e o Museu do Ipiranga, pois lá na finalização do ato, ficou acordado que apenas algumas organizações iriam fazer uso da palavra. Vários membros de partidos e sindicalistas fizeram uso da palavra no Parque da Independência, inclusive, uns repetindo a mesma fala de outros, com o mesmo discurso repetitivo de sempre, que já não tem a credibilidade da nossa classe, pela própria estagnação de suas organizações.

As lideranças do MIR acompanharam o ato desde a Praça da Sé e em nenhum instante foram procurados pelos organizadores para informar a deliberação, além disso, se durante o trajeto houve algum convite partindo do carro de som, as lideranças não ouviram, pois estavam no final da marcha, logo após a faixa do Comitê Pela Desmilitarização da Polícia e da Política. Durante o trajeto, apenas dois organizadores foram conversar com os indígenas, quando estavam passando pela Praça João Mendes, a pedido da PM, disseram que os indígenas estariam atrapalhando o serviço da PM e da Ambulância, que “estavam ali apoiando o ato”. Mas ninguém mencionou convite aos indígenas, para irem falar no carro de som.

As lideranças seguiram em todo trajeto lá atrás, cantando e dançando e junto com a faixa da campanha pela desmilitarização, pois o MIR acredita que devemos discutir outro modelo de segurança pública, que não seja orientada pela violência e extermínio de jovens, principalmente da juventude negra e indígena em contexto urbano, como estamos vivenciando em todo o Brasil, com um aumento considerável nos últimos 10 anos de governo do PT. Por este e outros motivos o MIR defende a desmilitarização da Polícia e da Política, além, logicamente, de defender os Direitos Humanos dos Povos Indígenas.

Quando as lideranças subiram no carro de som, a primeira alegação apresentada por pedrini (escrito em minúsculo por ser assim que o vemos), impedindo a fala dos mesmos, é que indígenas já falaram durante a trajetória até ali. Quando foi informado que ninguém do Movimento Indígena Revolucionário havia feito uso da palavra, pedrini criou outro argumento, disse que já foi dado espaço ao segmento. Novamente contestado, pois diversos sindicalistas falaram, diversos partidos falaram, mais de um movimento de moradia falou, “então alguns segmentos pode ter mais de uma fala e o movimento indígena não?”, indagou um de nossos representantes no ato. Assim, acuado, pedrini desliza, como muçum das mãos do pescador,  dizendo que “todos que quiseram falar, demos espaço, mas que deveria ser durante o trajeto e nós convidamos todos para falar. Aqui, na finalização, só as organizações que estiveram organizando o ato tem fala”. Foi explicado a ele que lá no fundo não dava para ouvir o carro de som e foi pedido uma exceção, já que as lideranças queriam depor sobre a situação dos Povos Indígenas em todo o Brasil, que só no governo do PT houveram 784 assassinatos de lideranças que lutam pelo seu território e que há, mais de 20 mandatos de prisões para lideranças Tupinambá no Sul da Bahia e que os Tupinambá, assim como os Guarani Kaiowá estão enfrentando um dos maiores massacres de povos indígenas dos últimos 150 anos e que nunca na história deste país um governo “democrático” tem tratado com tanto descaso os povos autóctones. Denunciar a violação dos direitos humanos do povo Munduruku, que está enfrentando a Força Nacional na defesa dos rios amazônicos. Além da negligência do governo federal de não cumprir a Constituição Federal, não demarcando as terras indígenas e os ataques dos ruralistas no Congresso nacional, querendo aprovar a PEC 215, Portaria 303 e PLP 227 sem ao menos ter cumprido a Constituição Federal.

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Mesmo com estes esclarecimentos, pedrini continuou intransigente em abrir espaço para as lideranças do MIR. Não tendo negociação, Ash Ashaninka aproveitando o vacilo dos mesmo, “retomou” o microfone das mãos dos organizadores e denunciou a postura e conduta de pedrini, que enquanto Ash falava, ficava de bate-boca com Sassá Tupinambá, dizendo que aquilo era uma palhaçada. Sassá disse a ele que não era palhaçada e sim uma atitude justa, “já que não nos deram oportunidade no microfone, nós o retomamos e denunciamos”, e que aquela atitude, de não dar oportunidade aos indígenas era própria de fascistas da igreja, que perseguem a todas e todos que lutam por um mundo justo e igualitário. O pedrini disse que “a igreja não é fascista é revolucionária, pois sempre apoiou os povos indígenas e os trabalhadores pela Teologia da Libertação”. Mas não é bem isso que nossa história nos diz. A igreja católica foi a maior colaboradora dos colonizadores durante o processo de invasão sustentado por diversos massacres e genocídios dos povos indígenas. Além de ter contribuído, numa história mais recente, com as ditaduras na América Latina. A igreja é reacionária, a “Teologia da Libertação” é defendida apenas por alguns padres, e que estes não tem o apoio do papa, nem da igreja (da instituição religiosa), além de muitos serem perseguidos dentro da própria igreja até hoje por lutar ao lado dos povos empobrecidos. Esta atitude não passa de ação individual de alguns padres e não da igreja, esta, sempre esteve ligada a saques, massacres e genocídios de povos em todo o mundo. E, como pode ser revolucionária uma instituição que tem dentro dela a Opus Dei e a TFP?, portanto a igreja não pode ser considerada revolucionária como quis defender o pedrini, pois nem o papa não é revolucionário. Reconhecemos muitos companheiros dentro da igreja católica, mas não podemos esquecer nossa história e nem a história da humanidade após a fundação dessa instituição maléfica, que não tem nenhuma relação com ideais e práticas defendidas por Jesus Cristo e realizadas por diversas comunidades cristãs na Europa, comunidades estas destruídas pela igreja católica e protestantes na época das inquisições e cruzadas. E aqui no Brasil, envolvida com uma história, inclusive escrita com o sangue de nossos ascendentes e ancestrais indígenas. Deixamos claro que nada temos contra os cristãos de fé e ação e nem contra os fiéis católicos, nem mesmo aos companheiros padres partidários da Teologia da Libertação, mas não podemos nos calar diante da nossa própria história, marcada a ferro e fogo com a benção da instituição religiosa católica.

Repudiamos a postura da Pastoral Operária que tentou calar a boca do segmento (Movimento Indígena) que há mais tempo enfrenta os capitalistas neste território e que vem sofrendo com a política desenvolvimentista do petismo. Repudiamos a truculência do pedrini, que poderia ter aberto palavra para as lideranças, mas preferiu seguir com sua atitude que para nós é fruto de seu racismo e preconceito para com os povos indígenas.

Esperamos que nos próximos atos do Grito dos Excluídos não se exclua aqueles que sempre estiveram gritando, mas que muitas vezes tiveram seus gritos abafados pelos interesses políticos de oportunistas e pelegos que se dizem representantes da classe operária, camponesa e indígena.

Brasília, 10 de setembro de 2013.

MIR – Movimento Indígena Revolucionário

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