Na zona norte de São Paulo, o rap é indígena


do site do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

Poucos sabem, mas há uma aldeia indígena em São Paulo onde grassa um rap trilíngue. Ali, uma única canção é capaz de trafegar entre o tupi-guarani, o guarani e o português.

A obra sui generis é dos Xondaro MCs, grupo composto pelos jovens Mc Tuka, Mc Wera e Mc Mikeas, três indígenas que residem na aldeia Tekoa Piau, localizada nas cercanias do Parque do Jaraguá, na zona norte de São Paulo.

“Em guarani, ‘xondaro’ quer dizer ‘guerreiro’”, conta Tuka, de 22 anos, que, ao lado de Wera, de 17 anos, falou sobre o trabalho do grupo enquanto se preparava para uma apresentação durante manifestação que sua aldeia promovia em meados de setembro.

O projeto surgiu após um festival de talentos realizado na aldeia há cerca de quatro anos. “Foi meu irmão Thiago, falecido neste ano, que fundou o grupo. Resolvemos trabalhar uma música para se apresentar no festival e aí tudo começou”, conta Tuka. Desde então, o grupo já tem sete músicas no repertório.       

Tuka fala ainda que sua primeira influência no rap foi a mais clássica de todas: Racionais MCs. O contato inicial veio na infância. “Quando criança eu comecei a ouvir “Diário de Um Detento”. Eu era pequeno, não entendia muito português, mas meu irmão mais velho ouvia. A partir de então passei a entender o rap e conhecê-lo mais”, revela.  Já Wera cita outras inspirações: “Sabotage foi um grande rapper. Gosto também de RZO”.

É justamente o integrante de um de seus grupos favoritos quem mais apóia os Xondaro MCs. Segundo os indígenas, o rapper Sandrão, do RZO, é o padrinho do grupo, e frequentemente vai até à aldeia para levar alguns “beats” e auxiliar em gravações. “O Sandrão sempre diz que no rap a gente tem que falar a verdade, sem fazer apologia a nada”, afirma Tuka. “Pensamos nossas letras sempre com o pensamento de paz, na união da nossa comunidade”, acrescenta.

Assim como a esmagadora maioria dos grupos de rap, os Xondaro MCs têm usado a música como meio para divulgar sua realidade – no caso, a dos indígenas que vivem em meio urbano. Uma realidade muitas vezes invisível ao restante da sociedade. “Nós estamos nos expressando muito falando de nossa realidade. Muitas pessoas vêm aqui e ficam com dó da gente ao ver a situação da aldeia, que realmente é muito precária. Nós queremos mudar isso. Queremos que eles saibam que meu povo tem muito a dizer, que tem muitas histórias que aconteceram aqui e que foram muito mal explicadas. Nós estamos aí para falar a verdade”, desabafa Wera.

Veja e escute os Xondaros MCs em ação: http://www.youtube.com/watch?v=iq3kYr8cJkM

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