Chega de mortes e desaparecimentos! Pela desmilitarização da polícia!


Chega de mortes e desaparecimentos! Pela desmilitarização da polícia!

Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afetou
porque não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
e quando percebi,
já era tarde. (BRECHT, Bertold)

A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais voltam a ser pauta do noticiário burguês e da direita paulistana. A morte dos adolescentes Douglas Rodrigues e Jean Silva Nascimento na semana derradeira de outubro reabre um processo bem conhecido pela população paulistana: o de extermínio da juventude negra, pobre e periférica. Histórias que vimos acontecer em Maio de 2006, em 2012 quando se instaurou uma crise na Secretaria de Segurança Pública do Estado e na Chacina do Jardim Rosana.

As indicações por parte do governo tucano já vinham sendo dadas há algumas semanas, fosse pela retirada da proibição de utilizar balas de borracha na contenção dos protestos em São Paulo, editoriais do Estadão e Folha pedindo a punição devida à “vândalos”, as repressões violentas aos atos nas últimas semanas são demonstrações claras do
recrudescimento do governo tucano frente as periferias paulistas e aos
movimentos sociais.

Para além do processo protagonizado por Alckmin e Grella também temos visto que a política de gentrificação e higienização tem se alastrado por todo país. O desaparecimento de Amarildo no Rio de Janeiro, a morte de Ricardo na baixada santista, a utilização da Força Nacional durante o leilão de Libra e as manifestações em cidades-sede da Copa
das Confederações em junho apontavam para esse processo de recrudescimento da criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. 

As imagens veiculadas nesta terça-feira no Jornal do SBT mostram bem a nova guerra que começa a se instalar em São Paulo e a justificativa para recrudescer esta guerra contra os marginalizados socialmente é a de coibir “vândalos” nas manifestações que vem ocorrendo pelo país. 

Para tanto governo Dilma, na figura do ministro José Eduardo Cardozo, irá se reunir com os secretários de segurança de São Paulo e Rio de Janeiro para articular ações comuns para reprimir durante as manifestações. Para além, o ministro da Justiça também declarou que é necessário procurar a melhor forma de punir as pessoas que transgridem as leis. Bom lembrar que nas últimas manifestações do Rio de Janeiro várias pessoas foram enquadradas na Lei de Segurança Nacional que está em vigor desde a Ditadura Civil-Militar.

O que vemos ser retomado em São Paulo, mas também no país, é a manutenção de uma política de segurança pública que visa exterminar a classe trabalhadora, se munindo da criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Maior exemplo foi a concessão da Salva de Prata à Rota pela Câmara de Vereadores de São Paulo.

Além disso o convênio da Operação Delegada entre o governo Alckmin e a prefeitura de São Paulo, iniciado na gestão Kassab e perpetuado agora na gestão Haddad, ajuda a manter o processo de extermínio da população pobre e negra da nossa cidade e quem já tem sido implementada no interior do estado, substituindo nos finais de semana as Guardas
Municipais por PMs.

Não queremos mais uma edição dos Crimes de Maio, das execuções de 2012, dos desaparecimentos que ocorrem por todo país e não são esclarecidos pelos governos estaduais e federal. Queremos uma segurança pública desmilitarizada, fim do processo de higienização social e de repressão!

O Comitê pela Desmilitarização da Política e da Polícia acredita que neste momento é fundamental que ninguém se omita, pois o aprofundamento da aplicação da política do terror se mostra evidente dia após dia seja em São Paulo seja no resto do país, é importante que não deixemos essa política de repressão e do medo avançar, é preciso denunciar os abusos policiais nas periferias, os assassinatos e desaparecimentos para que realmente jamais se repita as atrocidades que temos visto nos últimos anos e, principalmente, no último período! 

Convidamos a todos para estarem na quinta-feira, 07/11, às 17h na Praça Roosevelt para podermos dizer aos nossos governantes que não aceitaremos mais violência policial e mais mortes em nosso país!

Pela desmilitarização da política e da polícia!

Assinam
Aby YAla
AGB- Associação dos Geografos do Brasil
Amparar
Associação Juacris do Jd. Rosana.
Bloco do Beco
Cia. Estavel de Teatro
Circulo Palmarino
Coletivo Anastacia Livre
Coletivo Cinefusão
Coletivo Ecossocialista Libertário (Ecossol)
Coletivo Feminista Yabá
Coletivo Merlino
Comitê pela Desmilitarização da Política e da Policia
Comitê Popular da Copa SP
Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política – Curitiba
Companhia Estudo de Cena
Cordão da Mentira
CSP-Conlutas
Deputado Federal pelo PSOL Ivan Valente
ECLA-Espaço Cultural Latino Americano
Esquerda Marxista
Fábrica Ocupada Flaskô
Fenametro
Fórum Municipal de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas
Grupo Construção Coletiva da PUC
Insurgência
Intersindical
Juntos
Kiwi Companhia de Teatro
MIR- Movimento Indigena Revolucionário
Movimento Luta Popular
Movimento Nacional da População de Rua
Movimento Primavera
Movimento Terra livre
MNU- Movimento Negro unificado
NEP – Núcleo de Extensão Popular Flor de Mandacaru
Núcleo de estudos e pesquisa em ética e direitos humanos (NEPEDH) do
Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC/SP
PJ- Pastoral da Juventude
Observatório das Violências Policiais
Organização Comunista Arma da Crítica
PSOL
PSTU
Revista Forum
Setorial de Direitos Humanos do PSOL de São Paulo
Sintusp
Tribunal Popular
Vereador Toninho Vespolli

Pessoal
Bia Abramides-professora da PUCSP e diretora da Apropuc
Cristina Maria Brites – Professora Adjunta da Universidade Federal Fluminense
Pastor Paulo Roberto
Sassá Tupinambá –militante do Tribunal Popular e do Movimento Indigena
revoculionário
Professor Dr. Angelo Antonio Abrantes Universidade Estadual Paulista – (Unesp

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