Racismo na UnB


retirado do perfil no facebook de Jairã Silva Santos

Sonhar em passar no vestibular, ingressar numa Universidade Pública democrática e inclusiva, se formar, trabalhar dignamente para obter o seu salário e realizar-se profissionalmente não é sonho somente de não indígena.
Entretanto sair da aldeia, separa-se das pessoas que mais ama, deixar de gozar da harmonia coletiva e espiritual em que vivia ,para adentra no mundo dos “capazes” onde o que importa é TER e não SER não é nada fácil. E o que impera nessa dita “sociedade civilizada” é hostilidade, competição, falta de solidariedade, preconceito, corrupção, o racismo e sobretudo o capitalismo selvagem que promove a desigualdade social cada dia mais.
Lamentavelmente é na capital federal do Brasil –sede de Poder da Nação- onde está localizada a Universidade de Brasília, sendo esta a primeira a criar políticas de cotas no ensino superior do país, e é onde também, estudantes indígenas são tratados como “incapazes” por um professor da referida instituição.
É com sentimento de indignação, asco e revolta, porém fortalecido pelas nossas ancestralidades, que nós estudantes indígenas de diversas etnias afirmamos que estamos preparados para lutar e combate essa injustiça que viola os nossos direitos e denigre a nossa identidade. Temos a convicção de que, estamos ocupando vagas na UnB, e que elas também são nossas, por entendermos que ela é pública. E ainda, não é presença dos estudantes indígenas na UnB, como cita o docente, que vai baixar a qualidade e o nível e ensino do ensino, e sim, a postura antiética e colonialista de alguns professores em pleno século XXI.

Nesse contexto, concluo, que a nossa identidade étnica não nos coloca em desvantagens cognitivas, frente aos docentes e demais estudantes não indígena, muito pelo contrário, ela nos proporciona orgulho e nos encoraja re-sistir e re-existir diariamente para nos formarmos.
Nos últimos dias, a revista Piauí, publicou matéria intitulada “laboratório Indígena” na qual o docente de bioquímica da UnB fez fala racista sobre estudantes indígenas da mesma instituição de ensino.
Segue o link da matéria. http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-86/despedida/laboratorio-indigena?utm_source=revista

“Você está ocupando vagas que deveriam ser de pessoas capazes, e é frustrante para os índios, porque eles desperdiçam anos da vida tentando fazer algo de que não têm capacidade”, disse. Em seguida, imitou uma voz infantil: “Ah, eu quero ser astronauta. Funai, consegue uma vaga na Nasa, eu quero.”

É importante informar que há algum tempo o professor Dr Marcelo Hermes do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília, intelectual renomado pelas suas publicações científicas, tem humilhado e exposto os estudantes indígenas à situação vexatória.
Vale mencionar que em 2008 ele postou em seu blog “Vestibular trapalhão para índios”.http://cienciabrasil.blogspot.com.br/

“Não quero entrar no mérito se é ou não valido esse tipo de cotas (*) para índios (na verdade é, neste caso, um tipo de ação afirmativa). Mas o que me escandaliza é o fato deles só terem que fazer provas de Português e Matemática… E os cursos disputados (Medicina, Nutrição, etc) precisam de conhecimentos sólidos de biologia e química.
“É possível que seja aprovado um índio no curso de Medicina que não saiba o que é Na (sódio), H2O (água) ou mitocôndria. Já imaginaram como será seu desempenho nas cadeiras de Bioquímica e Fisiologia?”
”Pobre dos índios, que mais uma vez serão mal selecionados para entrar na UnB. Cadê a Funai para intervir nessa burrice institucional ? (será que a Funai é mal informada ou conivente?)”
“Todos sabem o que penso sobre cotas: sou contra!”

Ouvi e ouço constantemente que a universidade é espaço de formação, transformador e que o conhecimento liberta. Questionável, tal afirmação.
Há um canto do Toré (dança) que diz :

”Quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro”.

Contudo há virtudes e valores que jamais o dinheiro, diplomas e títulos proporcionarão ao homem

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