COMEMORAR O QUE, CARA-PÁLIDA?


COMEMORAR O QUE, CARA-PÁLIDA?

Inicio este informando que não sou historiador e nem fiz pesquisa cientifica em relação ao tema. Falo como Tupinambá e minha pequena analise aqui apresentada é com a ótica do derrotado que não deixou a luta.

Como toda história oficial, a história de São Paulo é contada a partir dos relatos dos colonizadores, de ambas aristocracias, a leiga e a religiosa. Hoje em São Paulo a elite, herdeiros dos barões do café, a nova burguesia e a classe média que vive das sobras (de sangue empobrecido) deixadas pelos ricos comemoram o aniversário da cidade, que se transformou na maior capital da América do Sul. Eles tem toda razão para comemorar, enfim a fundação da Vila de São Paulo de Piratininga propiciou todos seus bens, que hoje são nos apresentados em alguns bairros, como Jardim Europa, Auto de Pinheiros, Morumbi e a “Casa Grande”, chamada Alfaville. Enquanto que nas senzalas nós permanecemos, com enchentes, incêndios, especulação imobiliária, despejos, violência policial (o capitão do mato e ou bandeirante moderno), dependência química e outras mazelas, somos forçados a acreditar que também devemos fazer parte destas festanças todas que se espalham pela cidade, que vai desde missas na Catedral da Sé e igrejinhas nos bairros, a apresentações dos nossos artistas.

Mas como toda história, sempre tem a versão do lado de cá, passarei a falar a partir daqui. O lado dos derrotados, dos hostilizados, dos explorados e dos que permanecem em luta.

Já sabemos que a maior organização que já tivemos nesta Pindorama contra o colonialismo e o imperialismo foi a que ficou historicamente conhecida como Confederação dos Tamoios. E que nossa Nação Tupinambá aterrorizou os invasores portugueses que se alojaram em Santos e São Vicente por pelo menos 20 anos consecutivos, e esta derrota portuguesa pode ter relação com a fundação de São Paulo, que está distante do litoral, um lugar supostamente seguro aos invasores, até porque o Tibiriçá era aliado deles e o seu povo foi de Piratininga.

Como nós, os remanescentes dos Tamuias podemos fazer parte de qualquer comemoração de fundação de cidades? É evidente que as cidades foram fundadas em áreas onde houve conflitos e se tem cidade, consequentemente teve massacre dos nossos.

O que comemorar? O genocídio dos Guaianazes? A expulsão dos Tupiniquim? O extermínio dos Guarani Mbyá? Comemorar a glória dos invasores?

Não devo! Não devemos! Mas também de nada adianta lamentações. Fomos derrotados, por isso há as cidades aí. Mas nossa derrota não foi numa luta justa. Várias vezes dados por vencidos, os invasores quebravam, na surdina, todos os acordos. Então, fomos os derrotados traídos.

Se Aimberê estivesse aqui hoje, ele não iria em festas comemorativas pelos quase 500 anos de São Paulo. Nem iria se lamentar pela derrota. Aimberê convocaria uma NOVA CONFEDERAÇÃO TAMUYA para continuar as RETOMADAS.

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