Diretora da Antonio Manoel perde credibilidade


A Escola Estadual Antônio Manoel Alves de Lima, no Jardim São Luis, zona sul de São Paulo ganhou espaço na mídia desde o dia 02 de dezembro de 2013, quando os estudantes realizaram uma manifestação dentro da escola. Os alunos se posicionaram contra um muro, que na ocasião estava em construção, fechando todo o entorno do pátio. Segundo os estudantes este muro iria tirar a ventilação do espaço e seria um isolante acústico, o que ampliaria a intensidade do barulho interno da escola, tornando os intervalos, quando todos estivessem no pátio um agravo a saúde auditiva de alunos e funcionários, obrigados à estar no espaço.

Desde então, as manifestações dos estudantes aumentaram e paralelamente, as violações de seus direitos também foram aumentando.

No dia 02, professores, psicóloga e diretores coagiram todos que se manifestaram, tentando encontrar alguma liderança, onde não tinha. Passaram a chamar aluno por aluno na diretoria, os pressionando para revelar os nomes dos “cabeças”. A dona Valdete Carvalho, atual diretora da escola, chamou a aluna Maria da Silva em sua sala e quis forçar a adolescente a denunciar professores, que para diretora estavam por trás da organização estudantil. Não tendo sucesso, a diretora passou a telefonar para os pais, e dizendo que seu filho estaria envolvido em badernas e vandalismos na escola, para que os pais proibissem a participação nas manifestações. Apenas dois alunos foram de fato vítimas, os demais pais que receberam tal telefonema ignorou e incentivaram a participação dos filhos nas mobilizações, o que deu mais força para o movimento dos estudantes, que buscam por melhorias dentro da escola.

No dia 09 de dezembro, a direção chamou a polícia para conter um ensaio de Maracatu, que os estudantes estavam realizando no pátio, para apresentação no dia seguinte, durante a festa de confraternização de fim de ano e despedida dos formandos da terceira série do ensino médio. Duas viaturas chegaram na escola, uma delas, com a Cabo Luciana, que com abordagem truculenta, quase quebrou o braço da aluna Terezinha da Silva, que teve seu rosto jogado contra o muro que estava já construído (inacabado) no pátio. Os alunos que estavam no ensaio foram um a um levados à sala da diretora e lá passaram por mais uma sessão de tortura psicológica, recebendo ameaças inclusive de serem reprovados, se continuassem “causando tumulto” na escola, como que defender os direitos já constituídos fosse causar tumulto.

No dia 10 de dezembro a dona Valdete Carvalho esteve na reunião com a comissão formada por estudantes, pais e mães de estudantes, moradores do Jardim São Luis e entidades da sociedade civil, sindicato dos professores e uma funcionária da defensoria pública. Toda a reunião foi filmada e nela a diretora se comprometeu em paralisar a obra e escutar as reivindicações dos estudantes.

Na segunda-feira desta semana, dia 27 de janeiro as aulas foram retomadas na Antonio Manoel, os alunos se depararam com o muro todo acabado. Com isso, fica provado que a palavra da diretora não deve ter a credibilidade da comunidade.

Nos primeiros dias de aula os estudantes que se envolveram nas mobilizações contra o muro e por melhorias no ensino da Antonio Manoel foram chamados novamente na sala da diretora. Desta vez foi para assinar um “termo de responsabilidade”, se comprometendo em obter notas boas nas disciplinas escolares e em não se envolver com o movimento estudantil. Foram quase 100 alunos chamados na sala e todos assinaram o documento que já estava impresso. Além de assinarem, foram verbalmente coagidos pela dona Valdete, pelo vice-diretor e pela psicóloga, que fora contratada para mediar conflito, mas sua atuação é a de algoz dos estudantes que tem atuação no movimento estudantil.

Tantas coisas na escola para a diretora e sua equipe dar conta, vão implicar logo com os estudantes que buscam uma organização que luta por melhorias dentro e fora da escola. Por exemplo, ontem, dia 29 de janeiro vimos uma matéria no SPTV [veja a matéria clicando aqui], falando da falta de professores na escola e para além disso, hoje ficamos sabendo que algumas salas foram fechadas. Como assim? A região tem a maior demanda por sala de aula da zona sul e a diretora fecha as salas?

Muita coisa esta diretora precisa esclarecer para a comunidade: primeiro é a promessa de paralisação do muro, que não foi cumprida; segundo é a falta de professores na escola; terceiro o fechamento das salas; quarto, as violações dos direitos dos estudantes; e por aí vai. A cada dia esta lista cresce, porque a dona Valdete não tem diálogo com a comunidade e ainda atua com arbitrariedade dentro da escola.

A comunidade está indignada com a falta de professores, com a falta de vagas e principalmente, com a falta de palavra, falta de profissionalismo, falta de disposição ao diálogo, falta de didática, falta de senso de justiça, falta de bom senso e falta de sabedoria da diretora. Tudo isso seria evitado com o diálogo com a comunidade estudantil e com a sociedade como um todo e mantendo a palavra, cumprindo com o que prometera.

Nota: os nomes de estudantes foram alterados para evitar retalhação pela diretora.

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Uma resposta para Diretora da Antonio Manoel perde credibilidade

  1. Iraildes disse:

    eu estudo lá, já até pintaram os muros, está faltando agua, a escola melhorou em nada!

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