Clamando por soluções, 150 indígenas voltam a ocupar desde segunda-feira (24) a sede do DSEI em Campo Grande/MS.


Por Lara Schneider1964951_10201101664618552_2044878187_n 10153253_10203065698461274_53416495_n

A Saúde Indígena tem frequentado as páginas de vários jornais, revistas e sites. O motivo? Podemos relacionar, no mínimo, três que estão vinculados à recorrência do tema: 1) Precariedade; 2) Omissão; 3) Descaso.
Cansados das promessas não cumpridas, indígenas de Mato Grosso do Sul voltam a ocupar o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena), órgão ligado diretamente ao Ministério da Saúde. 
O DSEI é responsável pela atenção básica e por intermediar, com a rede pública, hospitais e atendimentos de média e alta complexidade. 
A realidade do controle social durante gestão do secretário Antônio Alves à frente da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) reflete perfeitamente esta dura realidade. 
As crises repetidas e motivadas por interesses escusos são constantes nos noticiários. Após exoneração do coordenador do DSEI Nelson Carmelo Olazar no início de Dezembro de 2013, o Secretário Nacional tem prometido sua vinda para nomear novo coordenador para assumir o DSEI, no entanto: isso não aconteceu. E, de acordo com os relatos, esse novo coordenador seria um indígena, talvez pessoa mais capacitada para avaliar e estar junto na busca por soluções efetivas na área da saúde.
Também não ocorreram as melhorias prometidas após a primeira ocupação, entre setembro e outubro de 2013, que durou 21 dias. A precariedade no atendimento em saúde nas aldeias já era denunciada na ocasião. Dessa maneira, a reocupação aparece como única alternativa para que algum tipo de diálogo seja estabelecido e para que a situação da Sesai e da saúde indígena seja averiguada no Mato Grosso do Sul. 
Ontem, dia 25 de março, teve início uma reunião dos presidentes do CONDISI (Conselho Distrital de Saúde Indígena) ; e Fernando Souza, presidente do CONDISI/MS, participa tentando acelerar e abrir essa linha de conversa com o Governo Federal. 
“Sou Fernando Souza, índio terena, presidente do CONDISI/MS e estamos nessa luta por melhorias na saúde indígena. A nossa expectativa com relação à Sesai frustou e a situação em nossas aldeias está cada vez mais degradante. A estrutura da saúde indígena cada vez mais sucateada. Os óbitos cada vez mais aumentando, ou seja, estamos pagando um alto preço – com as nossas vidas – as irresponsabilidade e falta de compromisso daqueles que estão no poder, como parasitas, burocratas, sem sequer ouvir as vozes de centenas de liderança indígenas manifestadas por meio de protestos, ocupações de polo base, dsei, rodovias, que ainda pedem Socorro. Chega de coronéis na saúde indígenas. Somos cidadãos e queremos respeito com as nossas vidas. É por isso que estaremos sempre firmes, na luta e na defesa daquilo que acreditamos.”
A página “Resistência do Povo Terena” ressalta que a saúde indígena chegou a um ponto muito crítico: “É falta de respeito do jeito que nos estão tratando! Só vamos sair se o Secretário Nacional Antonio Alves tiver um posicionamento, chegou o limite, já estamos cansados com isso!” 
A página também convoca lideranças indígenas para se unirem em um grande manifesto para a melhoria da saúde indígena. Lideranças Terena e Guarani-Kaiowá apontam a ferida que aflige todos os povos originais: a falta de acesso a procedimentos básicos para a saúde e manutenção da vida. 
Robson Luiz de Souza relata que indígenas mobilizados e ocupando a DSEI, em Campo Grande, receberam ajuda de pessoas que estão na área de saúde de outros municípios do MS, pois não existia alimentação. 
E nós, como podemos ajudar?
Movimentos sociais, entidades sindicais, associações e pessoas sensibilizadas façam doações na Avenida Via Park 689, atrás do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.
Todxs que puderem, estejam divulgando a mobilização, que é emblemática por apontar a urgência de soluções. E apoiem. Pois, até que seja dada uma resposta definitiva: a mobilização prosseguirá.

(Nota construída através de fotos e relatos de: Léoson M. Silva; Fernando Souza; Robson Luiz de Souza, “Resistência do Povo Terena” (página/facebook); Isabel Carmi Trajber.)

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