MEU VOTO É CONTRA O RETROCESSO


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Estava num dilema, enfrentando uma grande guerra interna, por ter que votar numa candidata que não fez nada pelo segmento que milito. No entanto, após o 05 de outubro, data em que os eleitores em São Paulo reelegeram Geraldo Alckmin para governar o estado, mesmo sabendo das irregularidades no Metrô, CPTM, mesmo sabendo que a falta de água tem mais relação com a privatização da Sabesp (feita por Alckmin) do que a falta de chuva na região e o Aécio Neves indo para segundo turno, sendo o presidenciável que recebeu mais votos aqui em São Paulo e em todos os demais estados brasileiro, onde o agronegócio, agroindústria, industrias, construtoras e bancos tem mais força. Hoje já estou decidido sobre meu voto no dia 26 de outubro.

Como sabem, sou Tupinambá nascido em São Miguel Paulista, quando este bairro era o limite entre a zona urbana (bairro operário) e a zona rural da capital. São Miguel Paulista tinha uma parte urbana e outra parte rural, ainda hoje existem algumas chácaras, onde são cultivadas hortaliças. A maternidade que nasci estava na parte urbana e a casa de meus pais, fica onde era a parte rural de São Miguel Paulista, que na época era bem maior, hoje dividido em novos distritos administrativos (Ponte Rasa, Ermelino, Jacuí, Progresso, Helena, Curuçá, Itaim Paulista). A década que nasci foi marcada por grandes vitórias da nossa classe. Primeiro que as companheiras e companheiros que enfrentavam a ditadura militar estavam vencendo o regime. Segundo que a nossa classe estava organizada nos bairros. Nossa classe consegue fundar a Central Unica dos Trabalhadores e o Partido dos Trabalhadores.

Ainda criança, vi o bairro crescer demográfica e estruturalmente e cresceu por conta das mobilizações populares. Movimento de Saúde, conquistando as unidades de Saúde Básicas, Movimentos de Mulheres, Mães e Educação conquistando escolas, creches e de sem teto fazendo as ocupações. Foi assim que foi estampado na cartografia da cidade a periferia, seja na leste, na norte, na sul ou na oeste. Com organização e luta da classe trabalhadora, construímos as periferias composta por pessoas empobrecidas, majoritariamente negras e indígenas, vindas de toda parte do Brasil.

Minha participação política iniciou de forma indireta, ainda na gestação, minha mãe foi uma das mulheres que lutaram por energia elétrica, iluminação publica, escolas e postos de saúde. Depois, ainda criança, preparava o lanche das famílias que ocuparam um terreno no Miragaia. Eu criava galinha e no quintal de casa tinha um limoeiro, o lanche era pão com ovo e limonada. Assim foi minha iniciação. Mas não é disso que quero tratar agora.

Em todos estes movimentos que relatei eu via uma bandeira vermelha com uma estrela branca no meio. Pedreiro, Costureira, eletricista, encanador, marceneiro, carteiro, motorista, metalúrgico, estudante, professor, ambulante, desempregado e empobrecidos de todos os cantos do Brasil. Estas pessoas em luta, protagonista de uma história que não podemos negar.

E hoje, já estou mais aliviado em votar 13, depois de ter feito todo este resgate da memória do PT, depois de buscar suas origens e mais alem, não paro só nesta analise histórica. Onde (ainda) tenho mais pares? Certamente não é no PSDB.

Não é votando que mudamos o cenário político e a situação sócio-econômica da nossa classe. Precisamos nos organizar e junho de 2013 aponta a urgência em nossa classe retomar as rédeas, mobilizar, organizar e formar nossos pares. Infelizmente não posso votar nulo. Desta vez, meu voto de protesto não é nulo, nem branco ou nem ir votar. Diante da eminente ameaça de nossos inimigos de classe ficarem ainda mais poderosos, temos que ir as urnas no dia 26 e votar 13.

Lula e Dilma não atenderam as expectativas do segmento que luto. Não demarcaram a quantidade de terras indígenas que esperávamos que seriam demarcadas. Fizeram aliança com o setor do capital que mais afeta a população indígena. Nem acredito que Dilma fará mais por nós indígenas. Mas não é por isso que devemos entregar o Brasil para o conservadorismo direitista fascista do qual Aércio faz parte e é seu representante. Representante dos ricos, dos fazendeiros, dos exploradores e dos patrões

Dilma também não nos representa. Mas neste momento é a opção que temos para impedir este retrocesso.

Não podemos cair na “arapuca” que é acreditar que o PSDB é uma alternativa contra o PT. Definitivamente não é. As possíveis alternativas, interessantes para a população ribeirinha, negra, quilombola, camponês, indígena e todas pessoas empobrecidas, receberam pouquíssimos votos. Nossa Classe precisa aprender o que é de fato este sistema representativo. Inclusive para nega-lo.

Então Companheiras e Companheiros, Amigos e Amigas e Parentes, o voto contra o PT e pra tirar o PT ficou lá no primeiro turno, quando tínhamos companheiras e companheiros do PCB, PSTU, PCO e PSOL disputando. Agora, temos que deixar nossa vingança, pelo PT fazer aliança com todos os setores do capital e não atender as expectativas de nossa classe, não demarcar as terras indígenas, para as ruas nos próximos 4 anos. É nos organizando e nos preparando teoricamente que vamos enfrentar o PT e toda bancada conservadora que foi eleita e cobrar tudo o que não foi feito. Mas não podemos deixar o Brasil retroceder. Temos que avançar.

Não estou declarando meu voto em Dilma, nem no legado do lulismo. Declaro voto e oriento meus pares a votar contra o retrocesso. Temos que votar contra o neto do Tranquedo Neves, o escolhido pelos militares a continuar no governo. Temos que votar contra o candidato do agronegócio. Temos que votar contra o candidato da bancada ruralista. Temos que votar contra o candidato dos bancos. Temos que votar contra o candidato das industrias. Temos que votar contra o candidato das mineradoras. Temos que votar contra o candidato das madeireiras. Temos que votar contra o candidato das construtoras. Temos que votar contra o candidato do genocídio indígena. Temos que votar contra o candidato da bancada da bala. Temos que votar contra o candidato da criminalização da pobreza. Temos que votar contra o candidato das privatizações. Temos que votar contra o candidato dos patrões. Temos que votar contra o candidato do Fascismo.

sassá tupinambá

PELA UNIÃO CAMPO, CIDADE E FLORESTA!

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Uma resposta para MEU VOTO É CONTRA O RETROCESSO

  1. Marcos Oliveira disse:

    O negócio é votar em branco. Dilma e Aécio são iguais. Lula e FHC são iguais. A diferença entre eles, é que FHC e o PSDB nunca rasgaram suas bandeiras. Eles são e sempre foram o que são. Eles sempre pensaram em governar para as elites. Já o PT jogou m… sobre tudo aquilo que defendiam, sobre suas bandeiras, sobre a dura crítica que faziam às políticas paternalistas/coronelistas, onde se trocava pão por voto, e hoje, com o BOLSA ESMOLA continuam trocando.
    Isso me lembra o início da colonização brasileira, onde se trocavam terras por espelhos e apitos.
    A idéia ainda é a mesma, infelizmente.
    Sem falar nas alianças que o PT tem feito com Sarney, Collor, Itamar, PMDB…
    Tanto PT quanto PSDB caminham na mesma direção com os mesmos ideais neoliberais.
    Nenhum dos dois merecem meu voto. Os dois deveriam perder pra voto branco e nulo.

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